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O genero Dahlstedtia Malme : embriologia, sistema reprodutivo e biossistematica

Autor(es):
Simone de Padua Teixeira
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Biologia
Data de defesa:
Membros da banca:
Adelita Aparecida Sartori Paoli; Ary Gomes da Silva; Milene Faria Vieira; Ana Maria G. A. Tozzi
Orientador: Neusa Taroda Ranga
Resumo

Estudos reprodutivos em Leguminosae são escassos e restritos principalmente a espécies de importância agrícola e às encontradas em regiões temperadas. As informações disponíveis mostram uma alta incidência de aborto de flores e frutos na família, fenômeno também observado nas duas espécies brasileiras de Dahlstedtia Malme. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a ocorrência de aborto nos representantes de D. pínnata e D. pentaphy/la e, para tal, procurou-se: 1. investigar o desenvolvimento da flor, do grão de pólen, do óvulo e dos primeiros estádios da semente, compará-Io ao de outros representantes de Papilionoideae e, então, verificar a ocorrência de anomalias no decorrer do processo; 2. verificar o comportamento e a contagem dos cromossomos meióticos, e a normalidade das tétrades para avaliar se o grão de pólen pode ser considerado um fator limitante nos eventos de fertilização; 3. verificar a relação entre o aborto e a posição das flores/frutos na inflorescência/planta e dos óvulos/sementes no ovário/fruto e, 4. levantar a distribuição geográfica, os períodos de floração e frutificação e verificar a possibilidade de fertilização interespecífica, a fim de relacionar seus efeitos no processo reprodutivo das espécies e, juntamente aos resultados de morfologia externa e interna, esclarecer melhor a delimitação entre elas. Botões, flores fertilizadas e não fertilizadas, frutos e sementes em vários estádios de desenvolvimento foram utilizados em análises cito-histológicas e em testes da estratégia reprodutiva adotada pelas plantas. As características encontradas no desenvolvimento floral são comuns à subfamília Papilionoideae. Anomalias e supressão de órgãos florais não foram encontrados. Diferenças em níveis taxonômicos infragenéricos são raras nos primeiros estádios da ontogênese; entretanto as espécies diferiram na distribuição de cavidades secretoras nos órgãos florais. O número cromossômico encontrado foi n = 11, contagem inédita para as espécies. Como o estudo citológico abrangeu todas as espécies do gênero, conclui-se que o número básico é igual a 11. D. pentaphy/la é uma espécie meioticamente estável e os grãos de pólen não são limitantes da fertilização. Já D. pínnata apresenta regularidade meiótica menor, resultando num maior número de grãos de pólen estéreis e, tal dado, juntamente com observações de grande número de rebrotas nas plantas, pode indicar que a propagação vegetativa tem maior importância no processo reprodutivo desta espécie. O desenvolvimento do óvulo é do tipo «Polygonum» e o do endosperma Nuclear. Não foram encontradas diferenças entre a autopolinização e a polinização cruzada quanto à germinação do pólen, ao crescimento do tubo polínico, à megagametogênese, à dupla fertilização e à embriogênese. Em todos os tratamentos foram observados a retração e o espessamento prematuros das paredes celulares dos tegumentos e da placenta, seguidos de colapsos do saco embrionário (óvulo) ou do zigoto e do endosperma (semente). As espécies são autocompatíveis, não tendo sido observados mecanismos pré- ou pós-zigóticos atuando como barreiras à autofertilização. Em D. pentaphyfla não há diferenças na polinização de flores e na formação de frutos em determinada região da inflorescência. Não se encontrou também relação entre o acúmulo de calose no óvulo e sua posição no ovário, bem como entre semente em desenvolvimento e sua posição no fruto. O aborto nas espécies está mais relacionado à limitação de recursos maternos ao nível do fruto e ao nível do embrião, devido aos altos custos da frutificação e maturação das sementes, o que pode ser confirmado pela presença de características abortivas ocorrendo primeiro nos tecidos maternos dos óvulos e sementes e depois nos embriogênicos. As duas espécies apresentam distribuição restrita às áreas de Floresta Atlântica, mas não se observou sobreposição geográfica. Plantas de D. pinnata podem ser encontradas nos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo e de D. pentaphy/la nos Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Não se observou a formação de embriões após os cruzamentos interespecíficos. A fertilização em D. pinnata foi evitada pela presença de uma secreção micropilar densa e em grande quantidade, impedindo a penetração do tubo polínico. As espécies não estão isoladas sazonalmente, mas estão geograficamente separadas. Provavelmente, não trocam pólen na natureza e, se trocassem, não haveria formação de sementes (AU)

Processo FAPESP: 97/11242-0 - Estudos sobre o desenvolvimento floral, o sistema reprodutivo e a embriologia em Dahlstedtia Malme (Leguminosae, Papilionoideae)
Beneficiário:Simone de Pádua Teixeira
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado