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Atividade epileptiforme interictal no AVC isquêmico : prevalência, valor prognóstico e padrões de efeito bold

Autor(es):
Fabricio Oliveira Lima
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Médicas
Data de defesa:
Membros da banca:
Fernando Cendes; Antonio Luis Eiras Falcao; Anelyssa Cysne Frota D'Abreu; Jamary Oliveira Filho; Marino Muxfeldt Bianchin
Resumo

Convulsões estão associadas a prognóstico desfavorável no AVC isquêmico (AVCi) agudo. O significado prognóstico de descargas epileptiformes interictais (DEI) e padrões periódicos (PP) ainda não foi testado. Apesar do EEG ser amplamente utilizado para monitorar isquemia cerebral, seu valor como instrumento de monitorização ainda é infrequentemente avaliado. No presente estudo, testamos se a presença de DEI ou PP estão associados a um pior prognóstico functional e se parâmetros quantitativos do EEG realizado no AVCi agudo fornece informação prognóstica. Também foram avaliadas as consequências hemodinâmicas da atividade epileptiforme (AE) através do uso combinado de EEG-RM funcional (EEG-RMf). Cento e cinquenta e sete pacientes com idade acima de 18 anos e admitidos dentro de 72 horas do AVCi foram incluídos e seguidos prospectivamente. A interpretação do EEG foi realizada de forma cega por neurofisiologista certificado. DEI e PP (agrupados como AE) foram definidos de acordo com diretrizes propostas. Análises uni e multivariadas foram realizadas para a identificação de fatores associados ao prognóstico funcional de 3 meses (escala modificada de Rankin dicotomizada em &#8804;2 versus &#8805;3). Para a análise quantitativa, o poder de densidade espectral foi calculado para os primeiros 60 segundos de EEG livre de artefatos. Três índices quantitativos foram analisados: índice de simetria; índice de simetria pareado e índice de soma. A correlação de Spearman foi utilizada para testar a associação destes índices entre si e com a escala do NIHSS na admissão. Curvas ROC e regressão logística foram utilizadas para avaliar o efeito dos índices no prognóstico. Na análise univariada, NIHSS da admissão (OR 1,20, IC 95% 1,12-1,28, p=0,001), idade (OR 1,03, IC 95%1,01-1,05, p=0,02) e a presença de AE (OR 2,94, IC 95% 1,51-5,88, p=0,001) foram significativamente associados ao prognóstico em 3 meses. Na análise de regressão logística somente o NIHSS da admissão (OR 1,19, IC 95% 1,11-1,28, p<0,001) e a presença de AE (OR 2,27, IC 95% 1,04-5,00, p=0,04) foram associados independentemente ao prognóstico. Para a análise quantitativa quatro pacientes foram excluídos (uso de sedativos). Todos os índices mostraram uma correlação fraca e similar com o NIHSS da admissão com rho=0,32, p<0,001 para o índice de simetria e de simetria pareado; e rho=0,30, p<0,001 para o índice de soma. O índice de soma apresentou AUC levemente maior que os demais índices (AUC 0,702, p<0,001). Na análise de regressão múltipla somente o NIHSS da admissão (OR 1,19; IC 95% 1,12-1,27; p<0,001) e o índice de soma (OR 1,12; IC 95% 1,02-1,24; p=0,02) foram independenmente associados ao prognóstico. Quatro pacientes realizaram estudo combinado de EEG-RMf. Em 3 pacientes, BOLD positivo foi evidenciado em regiões próximas a área de isquemia. Ondas lentas foram associadas a efeito BOLD negativo. A análise quantitativa do EEG parece ser uma ferramenta promissora na monitorização de condições neurológicas agudas adicionalmente à variáveis clínicas. AE pode estar associada a importantes alterações hemodinâmicas com repercussões na área peri-infarto assim como a distância. Estudos adicionais para testar o papel da terapia medicamentosa e da ocorrência de crises convulsivas em pacientes com padrões de específicos de EEG são necessários. (AU)

Processo FAPESP: 11/50568-8 - Padrões de efeito BOLD em pacientes vítimas de doenças cerebrovascular isquêmica e portadores de atividade epileptiforme interictal
Beneficiário:Fabricio Oliveira Lima
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado