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Efeito de manchas monodominantes sobre organização e estrutura de comunidades vegetais em restinga subtropical

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Autor(es):
Polliana Zocche-de-Souza
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia
Data de defesa:
Resumo

Algumas espécies de plantas alteram as condições bióticas e abióticas em níveis que interferem na organização e estrutura da comunidade. Hipóteses de que a importância de interações interespecíficas positivas aumenta à medida que as condições se tornam mais estressantes estão sendo questionadas com o aumento de evidências de interações interespecíficas negativas nessas condições. A perda de riqueza e diversidade provocada por espécies monodominantes mostra que é necessário questionar o papel das interações interespecíficas em ambientes com condições estressantes. Nesta tese observamos como manchas monodominantes atuam sobre diferentes parâmetros de comunidades vegetais, que mecanismos funcionam como filtros ambientais e biológicos e propiciam sua dominância. Utilizamos como sistema de estudo manchas da espécie arbustiva Dalbergia ecastaphyllum (L.) Taub. (Fabaceae) que se desenvolvem em restingas predominantemente herbáceas em dunas de planícies costeiras subtropicais. Questionamos se a cobertura deste arbusto interfere e modifica a vegetação (Capítulo 1), avaliando diferenças entre manchas e áreas abertas adjacentes às manchas com monitoramentos da riqueza e cobertura de outras espécies durante quatro anos. O arbusto está se expandindo, modificando a composição de espécies, a estrutura da comunidade e apresenta relações predominantemente negativas com outras espécies. A redução de cobertura e riqueza nas áreas de manchas é dependente da porcentagem de cobertura do arbusto e do tipo de ocupação. A redução de riqueza nas manchas não levou a perda de riqueza total na duna frontal. Questionamos se há mecanismos como efeitos alelopáticos em folhas verdes e senescidas de Dalbergia e também se o sombreamento influencia a germinação e crescimento de plântulas (Capítulo 2). Avaliamos estes efeitos com experimentos de germinação e monitoramento do crescimento de plântulas em laboratório utilizando extratos aquosos de folhas verdes e senescidas de Dalbergia e a mesma redução de luz medida abaixo da sua copa. A germinação foi inibida sob efeito de extratos de folhas verdes. A germinação sob ação de extratos de folhas senescidas foi inibida, atrasada ou diminuída e o sombreamento isoladamente não influenciou a germinação. O sombreamento aparentemente amenizou os efeitos alelopáticos sobre a germinação. Dalbergia pode atuar na estruturação das comunidades de restinga causando um efeito negativo imediato e uma redução desse efeito após sua senescência. Investigamos em campo se a camada de serapilheira de Dalbergia impede a emergência de plântulas em áreas de manchas (Capítulo 3). Acompanhamos a emergência de plântulas em áreas de mancha com e sem serapilheira. A camada de serapilheira reduziu o número de plântulas que emergiu, sobreviveu, o tempo que sobreviveu e a riqueza de plântulas em relação às áreas com serapilheira. A dinâmica de manchas de Dalbergia em planícies costeiras possui um papel relevante como modelador e estruturador das comunidades de dunas frontais. Diferentes mecanismos de uma espécie arbustiva monodominante funcionam como filtros que trazem restrições à germinação, crescimento, emergência e ocorrência de espécies em áreas de manchas. Estas informações serão úteis para métodos de restauração de dunas costeiras impactadas baseadas nas interações interespecíficas e visando a regeneração da vegetação natural de forma mais eficiente (AU)

Processo FAPESP: 11/00103-9 - Dalbergia ecastaphyllum afeta a chuva de sementes, a germinação e o estabelecimento de plântulas em restinga?
Beneficiário:Polliana Zocche de Souza
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado