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Avaliação dos nucleossomos circulantes e a influência IN VITRO da sinvastatina nas propriedades adesivas e quimiotáticas de neutrófilos em pacientes com tromboembolismo venoso  

Texto completo
Autor(es):
Zapponi, Kiara Cristina Senger
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas
Data de defesa:
Resumo

Estudos clínicos e modelos animais têm explorado a participação dos neutrófilos na fisiopatologia do tromboembolismo venoso (TEV), mas ainda não está claro se a ativação de neutrófilos é persistente após a fase aguda da doença. Além disso, existem evidências clínicas que apoiam a hipótese de que as estatinas podem prevenir a recorrência do TEV, pelos efeitos pleiotrópicos que envolvem sua ação anti-inflamatória. O objetivo deste estudo foi avaliar alguns parâmetros de ativação de neutrófilos e o efeito da sinvastatina in vitro nas propriedades adesivas e quimiotáticas dos neutrófilos de pacientes com TEV e controles saudáveis. A ativação dos neutrófilos foi avaliada pela expressão da integrina ?2 ativada (CD11a/CD11B), quimiotaxia, pela geração de espécies reativas de oxigênio (EROs) dessas células, pela quantificação de nucleossomos circulantes e do complexo MPO-DNA como marcadores de NETs (redes extracelulares de neutrófilos). Também foram avaliados os principais ligantes dos neutrófilos: as moléculas adesivas endoteliais circulantes (s-ICAM-1/s-VCAM-1). A PCR-hs (Proteína C Reativa) foi empregada como marcador de inflamação. Os efeitos da sinvastatina foram avaliados pela expressão da integrina ?2 e pela quimiotaxia dos neutrófilos. Para expressão das moléculas adesivas CD11a e CD11b e o ensaio de quimiotaxia, as células foram avaliadas em condições basais e após estímulo inflamatório, com TNF-? ou IL-8 respectivamente, pré-tratado ou não, com sinvastatina. Os grupos de estudo consistiram de 37 pacientes com TEV (idade média de 44 anos, 35% do sexo masculino, 75% caucasóides) e 37 controles pareados por idade, sexo e cor de pele. A mediana do tempo entre a ocorrência do TEV e a inclusão no estudo foi de 25 meses (13-42). O evento foi espontâneo em 51,35% dos casos, 62,16% dos pacientes apresentaram TEV proximal e 24,32% embolia pulmonar. Pela Escala Villalta, 64,28% dos pacientes apresentavam Síndrome Pós-trombótica (SPT). Os pacientes apresentaram aumento significativo na expressão da molécula adesiva CD11a ativada, tanto no estado basal quanto após estímulo inflamatório do TNF-?, aumento na expressão da molécula CD11b ativada após estímulo com TNF-?, na quimiotaxia tanto no estado basal quanto após estímulo com IL-8, bem como no complexo MPO-DNA. Também houve aumento significativo nas moléculas endoteliais circulantes, s-ICAM-1 e VCAM-1 nos pacientes em comparação aos controles. Não foram observadas diferenças estatísticas em relação às análises das EROs e nucleossomos circulantes. No entanto, quando dividimos os pacientes em subgrupos de acordo com fatores associados a recorrência, tais como: dímero-D elevado (>500ng/ml) e TEV espontâneo, ou pela presença de SPT e o período de tempo após o evento agudo, observou-se um aumento significativo dos nucleossomos circulantes no subgrupo com SPT. Em relação aos outros subgrupos não houve diferenças. Além disso, os níveis de PCR-hs foram significativamente maiores nos pacientes. Por último, observamos que a sinvastatina foi capaz de reverter a ação inflamatória do TNF-? na expressão da atividade da molécula adesiva CD11b. Estes resultados demonstram que os pacientes com TEV apresentaram padrões de ativação de neutrófilos alterados mesmo após longo período do evento agudo. Além disso, fortalecem a hipótese de que esteja ocorrendo uma maior interação das moléculas adesivas dos neutrófilos e seus ligantes endoteliais, favorecendo o processo de migração dos neutrófilos, bem como sugerindo um aumento da ativação endotelial. De uma forma original, com o emprego de uma técnica específica, o aumento das NETs nos pacientes com TEV pode estar envolvido na ativação de outras células, em especial as endoteliais e de outras vias, que se retroestimulam. Na presença de uma ativação aumentada dos neutrófilos como parte da condição inflamatória crônica associada ao TEV, a sinvastatina talvez possa ter um papel modulador que contribua para a prevenção de recorrência e evolução da doença (AU)

Processo FAPESP: 13/22981-3 - Avaliação dos nucleossomos circulantes e a influência in vitro da sinvastatina nas propriedades adesivas e quimiotáticas de neutrófilos em pacientes com tromboembolismo venoso
Beneficiário:Kiara Cristina Senger Zapponi Cerri
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado