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Interferências da exposição gestacional ao di-n-butil ftalato e do consumo excessivo de lipídios saturados sobre a próstata do gerbilo   : alterações histopatológicas e mecanismos envolvidos

Texto completo
Autor(es):
Mariana Marcielo de Jesus
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Biologia
Data de defesa:
Membros da banca:
Alceu Afonso Jordão Junior; Ana Paula da Silva Perez; Marciane Milanski; Mary Anne Heidi Dolder
Orientador: Rejane Maira Góes
Resumo

Dietas hiperlipídicas e exposição a desreguladores endócrinos (EDC) são dois fatores ambientais aos quais a população está exposta e que afetam negativamente o desenvolvimento e a manutenção da próstata. O consumo de elevado teor lipídico afeta a homeostase dos hormônios esteroides sexuais, alterando a histofisiologia da próstata e aumentando o risco de adenocarcinoma prostático. Sabe-se que a ação dos lipídios na próstata é variável, depende da quantidade e também do tipo de lipídio ingerido, e está longe de estar bem compreendida. O di-n-butil ftalato é um EDC envolvido na desregulação do desenvolvimento do aparelho genital masculino quando administrado durante o período fetal, comprometendo a formação dos órgãos andrógeno-dependentes. Porém, seu impacto sobre o desenvolvimento e as consequências para a histofisiologia prostática ainda são poucos conhecidos. Nesse contexto, esse estudo investigou se os componentes lipídicos (óleo de milho) da dieta materna podem (1) levar à programação do desenvolvimento da próstata do gerbilo da Mongólia e (2) interferir nos efeitos causados nessa glândula pela exposição gestacional ao di-n-butil ftalato, e também analisou (3) os efeitos do consumo de elevado teor de lipídios saturados (dieta enriquecida com banha), do desmame até a idade adulta, sobre a histofisiologia prostática. Para tanto, foram utilizados lobos ventrais prostáticos de gerbilos adultos (16 semanas de idade) nascidos de mães controle (C) ou expostas, do 8º ao 23º dia gestacional, ao óleo de milho (CO) ou ao di-n-butil ftalato (DBP), bem como de animais alimentados com dieta contendo elevado teor de lipídios saturados, do desmame até a idade adulta (D). Os dados obtidos indicam que a ingestão materna de óleo de milho durante a gestação não alterou o peso corporal e os depósitos de gorduras da prole, porém aumentou os níveis séricos de colesterol não-HDL e 17beta-estradiol. A análise histopatológica revelou a presença de hiperplasia reativa e PIN na próstata dos animais CO, associada ao aumento da atividade proliferativa e expressão de AR e ER? e à ativação da via de sinalização da AKT. A exposição gestacional a altas doses de di-n-butil ftalato não alterou os parâmetros metabólicos, a histofisiologia e as vias de sinalização celular na próstata dos animais DBP. Contudo, essa exposição promoveu tumorigênese. O consumo de dieta rica em lipídios saturados, do desmame até a idade adulta, induziu obesidade, causou hipercolesterolemia, alterou a sinalização de AR, AKT e TNF-alfa e induziu a proliferação das células estromais na próstata, favorecendo o surgimento de desordens inflamatórias, pré-malignas e malignas. A partir desses resultados, conclui-se que o consumo materno de óleo de milho leva à programação do desenvolvimento da próstata do gerbilo, induzindo aumento do 17beta-estradiol circulante e lesões inflamatórias e proliferativas na idade adulta. Seu uso como veículo diluidor em estudos de toxicologia reprodutiva, portanto, deve ser evitado. Esse óleo também mascara os efeitos da exposição gestacional ao di-n-butil ftalato, à exceção da promoção do adenocarcinoma prostático. O consumo de dieta rica em lipídios saturados a partir do desmame também prejudica a saúde prostática, favorecendo o desenvolvimento de lesões proliferativas e câncer no início da idade adulta (AU)