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Enriquecimento artificial na Floresta Atlântica : Artificial enrichment in the Atlantic Forest

Texto completo
Autor(es):
Corrêa, Laíne Silveira
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia
Data de defesa:
Orientador: Ricardo Ribeiro Rodrigues
Resumo

Para potencializar a regeneração natural de florestas intensamente antropizadas, o enriquecimento artificial propõe a introdução de espécies de plantas de diferentes formas de crescimento, ausentes na área no momento presente. O conhecimento atual sobre o estabelecimento inicial de espécies para enriquecimento ainda carece de estudos, pois a tolerância de cada planta ao ambiente florestal é extremamente variável, devido sua autoecologia e interação interespecífica. Além disso, o elevado custo do plantio de mudas rustificadas tende a inviabilizar os projetos de enriquecimento. No entanto, poucos estudos avaliam o custo e a efetividade do enriquecimento com uso de distintos tamanhos de propágulos da mesma espécie. Para avançar nos conhecimentos sobre enriquecimento artificial, neste estudo procuramos responder às seguintes perguntas: I. Diferentes espécies de diversidade apresentam desempenho adequado (sobrevivência e crescimento iniciais) em distintos ambientes florestais? II. Qual método de enriquecimento (semeadura direta, plantio de mudas pequenas e grandes), apresenta equilíbrio entre custo e efetividade? Assim, no Capítulo 1 desta tese avaliamos a sobrevivência e crescimento iniciais de cinco espécies: Byrsonima sericea DC. (murici), Euterpe edulis Mart. (palmito-juçara), Lecythis pisonis Cambess. (sapucaia), Psidium cattleianum Sabine (araçá), Parkia pendula (Willd.) Benth. ex. Walp. (visgueiro), utilizando-se mudas rustificadas, em duas florestas: florestas naturais degradadas e floresta em processo de restauração, com a hipótese que a estrutura dos ambientes florestais influencia o estabelecimento inicial das espécies de diversidade, sendo favorecido em florestas naturais degradadas. Nossos resultados demonstraram que as variações do ambiente florestal influenciaram no desempenho das populações, em especial B. sericea, E. edulis e P. pendula, em floresta natural. Ao contrário do esperado, a floresta em restauração proporciona 17 vezes mais chance de sobrevivência que as florestas naturais. Para as espécies com elevada mortalidade deste estudo, sugerimos ampliar o número de indivíduos no plantio e avaliar a necessidade de replantio ainda no período chuvoso. No Capítulo 2 avaliamos o equilíbrio entre custo e efetividade do enriquecimento, na hipótese que a utilização de propágulos menores resulta em baixa sobrevivência final, assim tornando o custo final mais elevado do que mudas grandes. Selecionamos seis espécies de diversidade: Allagoptera caudescens (Mart.) Kuntze (buri), B. sericea, E. edulis, L. pisonis, P. cattleianum e P. pendula. Testamos três tamanhos de propágulos: sementes viáveis, mudas pequenas e grandes. Os resultados mostram que uma muda grande tem três vezes mais chance de sobreviver nas florestas em restauração, comparadas aos demais tamanhos. O custo total da semeadura foi 42% menor que mudas pequenas e 62% que mudas grandes. Para mudas pequenas o custo total foi 34% menor do que mudas grandes. As horas de trabalho representam 58% do valor final. Nesse estudo, o enriquecimento com semeadura direta foi ineficiente para a maioria das espécies, comparando-se com a sobrevivência final dos demais métodos. Para mudas pequenas, o equilíbrio entre custo e efetividade foi em espécies com maior acúmulo de reservas na semente. Sugerimos a associação de dois ou mais métodos como estratégia mais eficaz de enriquecimento artificial, e a presença de três ou mais pares de folhas para a retirada das mudas pequenas do viveiro (AU)

Processo FAPESP: 13/50718-5 - Restauração ecológica de florestas ciliares, de florestas nativas de produção econômica e de fragmentos florestais degradados (em APP e RL), com base na ecologia de restauração de ecossistemas de referência, visando testar cientificamente os preceitos do Novo Código Florestal Brasileiro
Beneficiário:Ricardo Ribeiro Rodrigues
Linha de fomento: Auxílio à Pesquisa - Programa BIOTA - Temático