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Atlas linguístico pluridimensional do português paulista: níveis semântico-lexical e fonético-fonológico do vernáculo da região do Médio Tietê

Texto completo
Autor(es):
Selmo Ribeiro Figueiredo Junior
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Data de defesa:
Membros da banca:
Manoel Mourivaldo Santiago Almeida; Vanderci de Andrade Aguilera; Emilio Gozze Pagotto; Neusa Ines Philippsen; Harald Thun
Orientador: Manoel Mourivaldo Santiago Almeida
Resumo

Com base teórico-metodológica da Dialetologia Pluridimensional (RADTKE e THUN, 1996; THUN, 2000, 2005 etc.), esta tese de doutorado apresenta sobretudo um atlas linguístico pluridimensional do português paulista (conhecido como \"dialeto caipira\") nos níveis semântico-lexical e fonético-fonológico e faz contribuições metodológicas de diferentes naturezas. Trata-se de contribuições à metodologia de coleta de dados empíricos, à metodologia de organização de corpora, e à metodologia de elaboração de atlas linguísticos pluridimensionais. No campo analítico, uma das contribuições deste estudo refere-se às contrapartes (a)fonéticas do arquifonema /R/ em quatro situações de coda silábica: (i) externa de desinência infinitiva (DI) seguida por pausa; (ii) externa em sílaba tônica (que não de DI) seguida por pausa; (iii) interna em sílaba tônica; e (iv) interna em sílaba átona. Quanto à situação (i), a seguinte hipótese em específico foi testada: os jovens entre 18 e 36 anos de idade do Médio Tietê (esp. aqueles com alta escolaridade, AE) estão produzindo a variante [ ɻ ] (a aproximante retroflexa, conhecida como \"erre caipira\") para o /R/ na situação (i) sob uma frequência relativa inferior àquela a ser observada entre os mais velhos a partir de 55 anos de idade (esp. aqueles com baixa escolaridade, BE). Como resultado, a fala dos jovens revelou-se na verdade mais albergadora da variante [ ɻ ] do que a fala dos mais velhos. A frequência relativa do fone referido em perspectiva com suas covariantes foi de 57% entre os jovens com AE e 62% entre os jovens com BE (contra 45% entre os mais velhos com AE e 30% entre os mais velhos com BE). Os dados são de 80 voluntários moradores em alguns dos municípios mais antigos do interior paulista: Santana de Parnaíba, Pirapora do Bom Jesus, Araçariguama, São Roque, Sorocaba, Itu, Porto Feliz, Tietê, Capivari e Piracicaba. A coleta dos dados realizou-se com a aplicação dos instrumentos metodológicos do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB, 2014) com modificações, gerando um conjunto de corpora, constituído por corpora semântico-lexicais, corpora fonético-fonológicos, um corpus metalinguístico-etnográfico e corpora extralinguísticos. Como base de dados, esse conjunto de corpora permitiu a elaboração do atlas linguístico de maneira a contemplar, além da dimensão diatópica inerente a esse empreendimento cartográfico e geolinguístico, ainda as dimensões diastrática, diagenérica e diageracional. No campo teórico-metodológico, uma das contribuições mais importantes deste trabalho reside no desenvolvimento de uma série de procedimentos ao inquérito semântico-lexical a qual denominamos \'técnica de entrevista orientada à contundência responsiva/anuente\', diretamente baseada na \'técnica de entrevista de três tempos\', por sua vez concebida pelo Dr. Thun (ADDU, 2000). Esta pesquisa só foi possível graças ao apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo FAPESP (procs. 2015/14038-5 e 2011/51787-5), do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico DAAD (prog. 57214225) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES (proc. 0128-16-3 / 99999.000128/2016-03). (AU)

Processo FAPESP: 15/14038-5 - Atlas linguístico parcial da região paulista do Médio Tietê
Beneficiário:Selmo Ribeiro Figueiredo Junior
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado