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Penduraram as letras na parede da sala: escrita e organização social no Alto Juruá

Autor(es):
Postigo, Augusto de Arruda
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Imprenta: Campinas. [2003]. 279 f., gráficos, ilustrações, tabelas.
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Data de defesa:
Membros da banca:
Almeida, Mauro William Barbosa de; Godói, Emília Pietrafesa; Esterci, Neide
Orientador: Almeida, Mauro William Barbosa de
Área do conhecimento: Ciências Humanas - Antropologia
Indexada em: Base Acervus-UNICAMP
Localização: Universidade Estadual de Campinas. Biblioteca Central Cesar Lattes; P846p; Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Biblioteca Prof. Dr. Octavio Ianni; P846p
Resumo

O trabalho trata dos usos e significados atribuídos à linguagem escrita na região do alto do Rio Juruá, oeste do Estado do Acre, na Amazônia brasileira. Pretende assim contribuir modestamente para o estudo da escrita entre grupos sociais que são marginalizados da escrita em sociedades letradas. Para isso procuramos traçar uma história da escrita da região, apoiada em material histórico e na pesquisa etnográfica, apoiando-se também em textos escritos por alguns moradores dessa região e que não frequentaram a escola. O Alto Juruá e, mais especificamente, a Reserva Extratvista do Alto Juruá, localiza-se em uma região de floresta, distante e relativamente isolada de centros urbanos. A população da região em sua maioria vive ao longo dos rios, em clareiras isoladas ou pequenas aglomerações. O analfabetismo é grande, a presença da escrita no cotidiano das pessoas é restrita. Até cerca de uma década, os seringueiros da área trabalhavam sob o sistema de barrações, no qual o monopólio da escrita pelos patrões tinha especial importância. Esse estudo tem como contexto o período posterior ao fim do regime dos barrações. Uma das conclusões do trabalho, resultante de adotarmos o ponto de vista local, é o fato de que há diferentes significados e diferentes usos para a escrita. Destacamos o papel da escrita como parte de sistemas de poder regionais e nacionais, mas também indicamos como a escrita tem sido utilizada por seringueiros para constituir novas relações com o mundo letrado e partir de pontos de vista "locais". Assim, concluímos que uma história dos usos e significados de práticas de escrita e da capacidade de escrita deve necessariamente tratar das relações entre as representações locais e sobre os sistemas de poder envolventes. Trata-se de escritores adultos, mas que aprenderam a escrever de diferentes maneiras não-ortodoxas. São o que se poderia chamar de escritores de pés descalços, que usam uma escrita não-domesticada. Um dos dilemas desses escritores da floresta é procurar dominar um instrumento com o qual têm pouca familiaridade para expressar sua cidadania em um mundo externo de pessoas que sabem escrever, ao tempo que esse mesmo esforço os classifica como pessoas que "escrevem errado", reafirmando na aparência sua situação subalterna. Essa pesquisa fez parte de uma tentativa de intervir praticamente nessa situação. (AU)

Processo FAPESP: 00/00639-1 - Penduraram as letras na parede da sala: um estudo sobre escrita e organização social
Beneficiário:Augusto de Arruda Postigo
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Mestrado