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Investigação de adesão plaquetaria na anemia falciforme e o papel dos nucleotideos ciclicos nesta adesão

Autor(es):
Renata Proença Ferreira
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Faculdade de Ciências Médicas
Data de defesa:
Membros da banca:
Joyce Maria Annichino Bizzacchi; Maria Stella Figueiredo
Orientador: Nicola Amanda Conran Zorzetto
Resumo

Anemia falciforme (AF) é uma doença causada por uma mutação de ponto, que resulta na formação de hemoglobina S (HbS). A polimerização de HbS desoxigenada resulta na deformação, enrijecimento e fragilização das células vermelhas, anemia hemolítica e eventos vasos-oclusivos, principal causa de morbidade nos pacientes com AF. A adesão anormal das células brancas e vermelhas ao endotélio diminui o fluxo de sangue na circulação micro-vascular, principal fator envolvido na vaso-oclusão. O objetivo deste trabalho foi comparar as propriedades adesivas de plaquetas de indivíduos sadios (AA) com as plaquetas de pacientes com AF (SS) e em terapia com hidroxiuréia (HU), e quais moléculas de adesão e sinalização estão envolvidas nesta adesão. A adesão basal de plaquetas ao fibrinogênio (FB) do grupo de pacientes SS foi significativamente maior em relação às plaquetas AA, entretanto, as plaquetas de pacientes SSHU mostraram uma adesão similar às plaquetas AA. As plaquetas AA, SS e SSHU quando estimuladas com trombina (TB), apresentaram uma adesão significativamente maior em relação às suas adesões basais. Por outro lado, não houve diferenças significativas entre as adesões basais das plaquetas AA, SS e SSHU ao colágeno como ligante. A citometria de fluxo foi utilizada para comparar a expressão e ativação das principais moléculas de adesão nestas plaquetas, e identificou-se um aumento de expressão da integrina aIIbß3 na sua conformação de ativação, na superfície das plaquetas SS, em relação às plaquetas AA e SSHU. A molécula P-selectina (CD62P) foi encontrada com maior expressão também na superfície das plaquetas SS. Ensaios de adesão utilizando anticorpos específicos para as moléculas de adesão indicaram um possível papel para a integrina aIIbß3 na adesão de plaquetas ao FB. O AMPc é um importante inibidor de ativação plaquetária, e os níveis intraplaquetários de adenosina manofosfato cíclica (AMPc) das plaquetas SS foram significativamente menores em relação às plaquetas AA e SSHU. A co-incubação das plaquetas com TB reduziu significativamente os níveis de AMPc nas plaquetas AA, e SSHU, e nas plaquetas SS essa redução não foi significativa. Além disso, foi interessante notar que os níveis de hemoglobina fetal (HbF) em pacientes SS e SSHU apresentaram uma significativa correlação com os níveis de AMPc. Em relação aos níveis intraplaquetários de guanosina monofosfato cíclica (GMPc), importante inibidor de agregação plaquetária, das plaquetas AA, SS e SSHU não houve diferenças estatisticamente significativas, entretanto com estímulo de trombina houve um aumento significativo de GMPc nas plaquetas AA. A incubação das plaquetas com o cilostazol (inibidor específico da fosfodiesterase 3A, PDE3A) levou a uma redução da adesão de plaquetas SS, e sugere-se que as plaquetas SS possuem a atividade de fosforilação da PDE3A aumentada, e esteja relacionada com a degradação de AMPc nessas plaquetas. Além disso, dados indicam que as vias de sinalização dependentes de PKA, PKG e PKC não estão envolvidas na adesão alterada das plaquetas SS. A atividade funcional nos ensaios com agregação plaquetária de pacientes com AF está alterada, mas será necessário que novos experimentos sejam realizados para maiores conclusões. Os resultados sugerem que as plaquetas de pacientes AF circulam num estado ativado e que elas possuem maior capacidade de aderirem às proteínas que podem ser encontradas na matriz extracelular (MEC) e na superfície da parede vascular. Esta adesão aumentada está associada com os níveis diminuídos de AMPc intraplaquetários e ativação da integrina aIIbß3. Estas mesmas alterações parecem ser revertidas nos pacientes em uso de HU. Resultados sugerem que as plaquetas podem ter um papel importante no processo de vaso-oclusão. Quando estão ativadas, estas plaquetas servem como fonte importante para mediadores inflamatórios que, por sua vez, podem levar à exacerbação da inflamação e ativação celular no local (AU)

Processo FAPESP: 06/58788-9 - Investigação de adesão plaquetária em anemia falciforme e o papel dos nucleotídeos cíclicos nesta adesão
Beneficiário:Renata Proenca Ferreira
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Mestrado