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Estudo de associação entre polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) em genes e refratariedade medicamentosa em pacientes com epilepsia do lobo temporal mesial

Autor(es):
Mariana Saragiotto da Silva
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Faculdade de Ciências Médicas
Data de defesa:
Membros da banca:
Carlos Alberto Mantovani Guerreiro; Mônica Barbosa de Melo; Veriano Alexandre Junior; Marino Muxfeldt Bianchin
Orientador: Iscia Teresinha Lopes-Cendes
Resumo

A Epilepsia do Lobo Temporal Mesial (ELTM) representa a mais freqüente síndrome de epilepsia focal, sendo comumente associada à chamada esclerose mesial temporal (EMT). A ELTM tem grande importância clínica devido à alta frequencia de pacientes refratários ao tratamento com drogas antiepilépticas (DAEs). Vários fatores genéticos e ambientais têm sido atribuídos à refratariedade medicamentosa nesses pacientes. Dentre as causas genéticas, acredita-se que variações alélicas, dadas por polimorfismos, em genes metabolizadores e transportadores de drogas podem ser responsáveis pela atuação e metabolização ineficientes das drogas, levando à refratariedade medicamentosa. Deste modo, o objetivo principal deste trabalho é avaliar se polimorfismos em alguns genes candidatos podem estar relacionados com a refratariedade medicamentosa na ELTM. Para tanto, foram selecionados polimorfismos de nucleotídeo único (do inglês single nucelotide polimorphisms - SNPs) em duas categorias funcionais de genes candidatos: i) genes transportadores de drogas: 43 SNPS selecionados em 3 genes, ABCB1, ABCC2, e RLIP76(RALBP1) e ii) genes metabolizadores de drogas pertencentes ao sistema do citocromo P450: 95 SNPs em nove genes, CYP1B1, CYP3A4, CYP3A5, CYP2C9, CYP2C19, CYP2E1, CYP1A1, CYP1A2, CYP2D6. Foram genotipados dois grupos de pacientes não relacionados, com ELTM, sendo 78 pacientes responsivos ao tratamento com DAEs (responsivos às DAEs) e 164 farmacoresistentes (resistentes às DAEs). Para assegurar que ambos os grupos poderiam ser comparáveis do ponto de vista de estrutura genética, todos os pacientes foram genotipados para 119 SNPs adicionais não relacionados aos genes candidatos de interesse. Os cálculos de AMOVA e Fst entre os grupos, mostram que não há estruturação populacional, portanto, ambos os grupos selecionados podem ser comparados entre si em estudos de associação. Após cálculo das frequências gênicas para os 141SNPs genotipados nos genes candidatos, 75 SNPs tiveram que ser descartados pois não se encontravam em equilíbrio de Hardy-Weinberg e apresentaram MAF (do inglês, minor allele frequency) menor que 5%. No grupo dos genes transportadores nossos resultados mostraram associação com um SNP sinônimo rs3740066 (Ile1324Ile), presente no exon 28 do gene ABCC2, onde o alelo C é mais freqüente no grupo de pacientes resistentes às DAE. Além disso, experimentos adicionais mostraram que a expressão do gene ABCC2 em hipocampo de pacientes resistentes às DAEs está aumentada em relação ao hipocampo de indivíduos sem ELTM, provenientes de autópsia. Para os genes do CYP450, foram encontradas associações em SNPs intrônicos presentes nos genes CYP1B1 e CYP1A2, para as variantes genotípicas rs2551188-TT e rs12904742GG, respectivamente, além de duas variantes associadas no gene CYP2C9: rs2153628AA e rs4086116CT, sendo que todas as variantes citadas acima são mais freqüentes nos pacientes resistentes às DAEs. Também foi encontrada associação para variantes alélicas nos genes CYP2C9: rs4086116T, CYP1A2: rs12904742G e CYP2C9: rs1934963C. Do mesmo modo, estes alelos são mais freqüentes em pacientes resistentes às DAEs. Há diferença estatisticamente significativa quanto à presença de atrofia hipocampal entre os grupos, sendo esta mais freqüente no grupo de farmacoresistentes (p=0,0000068), sendo que, através do cálculo de regressão passo a passo, a presença de atrofia hipocampal contribui com 9% de influência na refratariedade medicamentosa no grupo de pacientes analisados. Já os fatores genéticos associados à farmacoresistência analisados neste trabalho contribuem com 12% para o fenótipo da farmacoresistência nestes pacientes. Portanto, pode-se concluir que os 79% restantes de influência na refratariedade medicamentosa em pacientes com ELTM pode ser atribuído a outros fatores ainda não identificados. Finalmente, pode-se afirmar que nosso trabalho fornece fortes evidências indicando que a refratariedade medicamentosa em pacientes com ELTM é de causa poligênica e multifatorial, já que comprovamos a evidente influência genética e ambiental. (AU)

Processo FAPESP: 06/54417-6 - Estudo da relação entre refratariedade medicamentosa e polimorfismos genéticos em pacientes com epilepsia de lobo temporal mesial
Beneficiário:Mariana Saragiotto da Silva
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado Direto