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Moda brasileira e mundialização : mercado mundial e trocas simbólicas

Autor(es):
Miqueli Michetti
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Data de defesa:
Membros da banca:
Marcelo Siqueira Ridenti; Mariza Veloso Motta Santos; Myriam Sepúlveda dos Santos; Nízia Maria Souza Villaça
Orientador: Renato José Pinto Ortiz
Resumo

A "moda brasileira", a despeito de seu nome, não conforma um fenômeno nacional. Ela integra e tem por condicionantes os processos de globalização de mercados e de mundialização da cultura. Com o objetivo de elucidar porque a "moda brasileira", enquanto configuração material e simbólica, só faz sentido se pensada no seio desse panorama mais amplo, realizamos pesquisas de campo em eventos de moda nos quais ela era apresentada, sediados nas cidades de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Paris. Análises bibliográficas e de conjuntura também foram cruciais para entendermos a articulação de diversos agentes, imbuídos de interesses, valores e discursos específicos, em torno da volição de se construir uma "moda nacional", ao mesmo tempo diferente e equivalente das modas historicamente consagradas. A partir da abertura do mercado brasileiro ocorrida na década de 1990, o setor nacional de têxteis, confecções e moda assistiu à transformação do estado da concorrência no mercado doméstico, diante do que buscou-se construir um "diferencial competitivo" para a moda do país, desde então às voltas com o mercado global. Esse movimento é perpassado por dinâmicas simbólicas complexas, visto que, embora a moda nacional seja majoritariamente produzida e consumida no mercado doméstico e, nesse sentido, não seja econômica ou objetivamente global, a globalidade é atualmente erigida como um valor mundialmente válido e, conseguintemente, mesmo visando especialmente o mercado interno, a moda do país precisará adequar-se a padrões de organização, qualidade e consagração que se tornam globais. Diante disso, ela buscará ser reconhecida enquanto "global" e, para tanto, tentará consagrar-se junto às "capitais mundiais" da moda. Todavia, para ser aceita em um mercado global de bens simbólicos que elege também a diversidade como valor positivo, a moda do país deverá ser oferecida enquanto "brasileira". Logo, as iniciativas em prol da constituição de uma "moda nacional" e aquelas com vistas à sua globalização são simultâneas porquanto correlatas. Isso explica porque, embora configure um fenômeno característico da globalização, a "moda brasileira" tomará por fonte simbólica as representações sobre "o" Brasil e sua suposta diversidade. É por isso também que as construções identitárias no bojo das marcas de moda nacionais com pretensões globais buscarão não se restringir aos usos da "brasilidade", mas encampar os dois valores caros à moda atual. Contudo, no mesmo momento em que as identidades são discursadas como "flexíveis" e em que a mobilidade se torna quesito valorativo, as condições das composições identitárias entre diversidade e globalidade serão desigualmente distribuídas conforme os agentes enverguem posições mais afeitas à fixidez ou à mobilidade, o que apresenta vínculos mediados com seus pertencimentos geosimbólicos. Portanto, a "moda brasileira" buscará emprestar globalidade das instâncias globais de consagração, as quais, de sua parte, precisarão da diversidade imputada às ditas "modas do mundo". Porém, embora a moda global integre hoje agentes e regiões que não constavam anteriormente na cartografia do setor, as novas relações a que dá lugar não são isentas de hierarquias. Ainda que interesses mútuos sejam contemplados nas novas trocas econômico-culturais constitutivas da moda contemporânea, nelas alguns tem mais a ganhar. (AU)

Processo FAPESP: 08/54884-9 - Moda brasileira e mundialização da cultura
Beneficiário:Miqueli Michetti
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado