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"O espectador como espetaculo : noticias das Torcidas Organizadas na Folha de S. Paulo (1970-2004)"

Autor(es):
Camilo Aguilera Toro
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Data de defesa:
Membros da banca:
Luiz Henrique de Toledo; Leila da Costa Ferreira
Orientador: Renato Pinto Ortiz
Resumo

A formação do público do futebol no Brasil não é uma decorrência natural da assimilação deste esporte no país. Ela depende da consolidação dos processos que levaram à transformação do futebol em espetáculo de massas e em paixão nacional, ou seja, do surgimento do futebol como fenômeno econômico e cultural de 'grande escala' - momento a partir do qual este esporte deixa de ser uma atividade ociosa exclusiva de uma porção das elites urbanas. Agentes dessa transformação foram o Estado, os clubes, os atletas e de modo muito especial a imprensa, promotora da constituição de um público do futebol específico: robusto e militante. O surgimento, no final dos anos 60, das torcidas organizadas corresponde à versão exacerbada do que o jornalismo esportivo sempre destacou e, quando ausente, demandou com veemência: festa, colorido, alegria, compromisso, paixão. No entanto, também corresponde, não raras vezes, àquilo que a imprensa sempre condenou, mas nem por isso deixou de noticiar: a violência. Partindo deste conjunto de teses, apresentadas e discutidas na primeira parte da dissertação, a segunda parte oferece uma análise da informação esportiva do jornal Folha de S. Paulo durante o período 1970-2003. Busca-se com ela identificar o modo como um meio de comunicação deu visibilidade ao fenômeno, ou, em outras palavras, o modo como o tomou público ao lhe conferir o status de notícia, isto é, de mercadoria informativa. Dentro desta tentativa aparece uma outra: a de reconhecer a construção simbólica das torcidas organizadas feita pela mídia, rastreando as representações e significados que lhe são atribuídas. Presas a posturas populistas e/ou espetacularizadoras, descobre-se, entre outras coisas, que as representações variam toda vez que vem à tona assuntos que põem em risco a manutenção do futebol como espetáculo de massas ao vivo e como expressão e fonte de identidade nacional: a própria violência nos estádios, mas também temas como o Estatuto de Defesa do Torcedor e a adoção do modelo do jittebol-empresa (AU)

Processo FAPESP: 02/05798-6 - Torcidas organizadas paulistanas de futebol: dimensões estética e comunicacional
Beneficiário:Camilo Aguilera Toro
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Mestrado