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O Passado Negro : a incorporação da memória negra da cidade de Campinas através das performances de legados musicais

Autor(es):
Erica Giesbrecht
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Artes
Data de defesa:
Membros da banca:
Suzel Ana Reily; Elizabeth Travassos Lins; Fernanda Carlos Borges; Claudiney Rodrigues Carrasco
Orientador: Lenita Waldige Mendes Nogueira
Resumo

A crescente proliferação de grupos performáticos, que, através de manifestações culturais, divulgam "passados", convencionalmente chamados de "tradições culturais", tem rendido estudos e debates no campo da etnomusicologia em todo o mundo. Partindo da etnografia de grupos de cultura popular afro-brasileira sediados na cidade de Campinas - São Paulo, proponho uma reflexão sobre as dinâmicas que particularizam tal processo ali. No auge da economia cafeeira do Brasil no século XIX, a cidade foi um pólo produtivo, concentrando um grande contingente de escravizados a quem se atribui atualmente a criação de diversos estilos musicais. Entretanto os atores da conjuntura atual não descendem necessariamente daqueles escravizados, não pertencem a uma comunidade isolada ou a grupos familiares demarcados. Performando um legado musical atribuído àqueles escravos, esses grupos - dentre os quais acompanhei o Urucungos, Puítas e Quijêngues, a Casa de Cultura Nação Tainã, o Jongo Dito Ribeiro, e o grupo Maracatucá - nos colocam uma questão: por que grupos "não tradicionais" se interessam pelos chamados repertórios tradicionais, escolhendo, pesquisando e recriando suas performances? Sem eliminar outras possíveis respostas, defendo que as performances desses grupos engendram a intencional incorporação desse "passado negro" através de sua música, devolvendo aos corpos de seus participantes o controle sobre si mesmos. Usamos esta expressão, "passado negro", quando não queremos reconhecer acontecimentos de nosso passado que nos causam desconforto no tempo presente. Ambiguamente essa expressão também sintetiza tudo o que se relaciona à memória dos escravos da Campinas do século XIX. Renegado por uma cidade que ostenta um cenário urbano modernizado e essencialmente branco, esse passado aflora nos cabelos, nos tecidos, na cultura, na dança e na memória reconstruída de transeuntes negros que, por meio da performance, (re)enegrecem. Apropriar-se deste legado cultural através da performance significa remexer nas cinzas do esquecimento; é opor-se aos processos de exclusão do presente juntando-se a uma história e uma memória maior e desenterrando um passado trágico para que jamais seja esquecido (AU)

Processo FAPESP: 06/06049-8 - Música e cultura popular em Campinas: um estudo etnomusicológico sobre identidade, espaço e música
Beneficiário:Erica Giesbrecht
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado