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Extração dos glicosideos da estevia com fluidos pressurizados

Autor(es):
Antonio Pasquel Ruiz
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Faculdade de Engenharia de Alimentos
Data de defesa:
Membros da banca:
Fernando Luiz Pellegrini Pessoa; João Alexandre F. da Rocha Pereira; Marcia Ortiz Mayo Marques
Orientador: Maria Angela de Almeida Meireles
Resumo

O forte sabor residual do extrato glicosídico da estévia dificulta o uso dos glicosídeos desta planta como substitutos da sacarose, sendo portanto necessário a remoção total (derivados terpenoides) ou parcial (os próprios glicosídeos) das substâncias associadas a esse sabor residual. O objetivo desse trabalho foi investigar as melhores condições para o pré-tratamento da estévia com dióxido de carbono pressurizado, O processo de extração da estévia foi estudado em três etapas: i) o pré-tratamento das folhas usando CO2 pressurizado, ii) a extração dos glicosídeos a partir de folhas pré-tratadas e sem pré-tratamento, iii) e a análise sensorial dos extratos glicosídicos. Foi montada uma unidade de laboratório para extração com fluidos pressurizados com um extrator de 235,9 cm3 e pressão de trabalho de até 350 bar. Foram utilizadas folhas colhidas em 1995 em Maringá (PR). As folhas secas e trituradas da estévia foram extraídas com dióxido de carbono supercritico e dióxido de carbono líquido comprimido. O planejamento experimental foi baseado em um desenho fatorial completo com 2 níveis em cada um dos 4 fatores em estudo: pressão, temperatura, granulometria e vazão do solvente. A análise estatística dos rendimentos mostrou efeito significativo da temperatura (p=0,0360).. da.pressão (p=0,0008) e da interação destas duas variáveis juntas (p=0,0228). Por meio de cromatografia em camada delgada e CG-EM determinou-se que o perfil fitoquímico do extrato foi similar em todos os experimentos. Cerca de 55% dos compostos presentes no extrato foram identificados como: sesquiterpenos, ácidos graxos, hidrocarbonetos alifáticos, esteróides e triterpenos. Os glicosídeos da estévia foram extraídos por dois métodos: i) extração com mistura de fluidos pressurizados, e ii) extração convencional. Para a primeira técnica se utilizou folhas pré-tratadas com CO2, enquanto que para a segunda utilizou-se folhas pré-tratadas e folhas sem pré-tratamento. Para o estudo do efeito das variáveis de processo: pressão, temperatura e co-solvente, foi formulado um plano fatorial fracionado com 2 níveis de pressão, 3 níveis de temperatura e 3 níveis de co-solvente. Os níveis escolhidos foram 120 e 200 bar; 16, 30 e 45°C; e, aproximadamente 9,5% molar de água, etanol e mistura água etanol (aproximadamente 50:50% molar). As extrações da estévia foram realizadas durante doze horas; e verificou-se que o maior rendimento (3,4% em massa) foi obtido quando se utilizou água como co-solvente a 120 bar e 16°C, seguido de muito longe (0,6%) pelo experimento que usou também água como co-solvente porém a uma pressão de 200 bar e 45°C. Não se encontrou efeitos significativos de nenhuma das variáveis de forma individual para 95% de intervalo de confiança, o que leva a supor que o maior rendimento deve ser função do efeito combinado das três variáveis. Os extratos glicosídicos foram analisados por CLAE, observando-se a presença do esteviosídeo e do rebaudiosídeo. A em todos os extratos. Os glicosídeos foram quantificados por espectrofotometria ultravioleta a 210 nm, usando esteviosídeo como padrão de calibração. No caso da extração convencional determinou-se que os rendimentos foram menores que o maior rendimento obtido por extração com mistura de fluidos pressurizados, e verificou-se também., que o rendimento foi maior quando se utilizou folhas de estévia pré-tratadas com CO2 pressurizado, embora tão pouco exista diferença estatisticamente significativa nesse caso. Para a análise sensorial dos extratos glicosídicos foi constituído um corpo treinado de provadores através de uma seleção rigorosa dos participantes. A equipe de provadores analisou a intensidade de doçura dos extratos glicosídicos obtidos por extração convencional a partir de folhas de esteve pré-tratadas com CO2 pressurizado a 200 bar e 30°C, e folhas sem pré-tratamento. Encontrou-se que a potência edulcorante foram iguais para os dois extratos, embora a percepção do sabor residual tenha sido maior no caso do extrato sem pré-tratamento. Muito embora, não tenha sido feita a análise sensorial dos glicosídeos obtidos com a mistura de fluidos pressurizados, supõe-se que a sua qualidade em termos de percepção de doçura e de sabor residual deve ser ainda maior, devido a seu maior conteúdo de rebaudiosídeo A (AU)

Processo FAPESP: 95/03390-4 - Caracterização reológica de suspensões aquosas da goma da Mauritia flexuosa
Beneficiário:Antonio Pasquel Ruiz
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado