Busca avançada
Ano de início
Entree


Nefropatia crônica por ciclosporina : papel do ácido úrico e do sistema renina angiotensina aldosterona como mediadores de disfunção endotelial, inflamação e vasculopatia

Autor(es):
Fernanda Cristina Mazali
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Faculdade de Ciências Médicas
Data de defesa:
Membros da banca:
Márcio Dantas; Hélady Sanders Pinheiro; Wilson Nadruz Junior; André Mazzali
Orientador: Marilda Mazzali
Resumo

A nefrotoxicidade por ciclosporina caracteriza-se, do ponto de vista histológico, por fibrose intersticial em faixa, atrofia tubular e hialinose de arteríolas aferentes glomerulares, ou seja, um quadro compatível com doença renal isquêmica. Esta isquemia provocada pela ciclosporina leva a redução da taxa de filtração glomerular, com consequente elevação dos níveis séricos de ácido úrico. Além disto, a ciclosporina altera o transporte tubular de urato, favorecendo o desenvolvimento de hiperuricemia. No modelo experimental de nefropatia pela ciclosporina, a elevação dos níveis de ácido úrico apresenta associação com lesão túbulo intersticial mais severa, além de maior frequência de hialinose de arteríola aferente. Em estudos anteriores demonstramos que a hiperuricemia agrava a nefrotoxicidade pela ciclosporina e também que, a administração concomitante de agentes hipouricemiantes previne a lesão renal pela CsA. Assim, consideramos a hipótese de que, em um modelo experimental de nefropatia crônica pela ciclosporina, instalada, a normalização dos níveis de ácido úrico com alopurinol ou benzbromarona poderia reverter a lesão renal estabelecida. Nefropatia pela ciclosporina foi induzida em ratos Sprague Dawley com injeções subcutâneas diárias de ciclosporina, em associação com dieta hipossódica, por 5 semanas. Ao final deste período, grupos experimentais foram divididos com interrupção da ciclosporina, tratamento com CsA isolada ou em associação com alopurinol ou benzbromarona por um período adicional de 4 semanas. Ao final de 9 semanas de estudo, foram realizadas avaliações funcionais e histológicas. Neste modelo, a co-administração de alopurinol ou benzbromarona cursou com redução dos níveis de ácido úrico e minimizou o quadro de nefrotoxicidade estabelecida por ciclosporina, através da redução de hialinose arteriolar, glomeruloesclerose e fibrose intersticial, além da melhora da função renal, do estresse oxidativo e da apoptose, porém sem efeito anti inflamatório, avaliado pelo infiltrado de macrófagos e pela expressão de osteopontina. Os resultados mais significativos no grupo tratado com alopurinol sugerem que, além do efeito hipouricemiante, o alopurinol pode também apresentar um mecanismo antioxidante, conforme demonstrado pela redução da peroxidação lipídica e da geração de radicais livres, resultando em menor intensidade de apoptose de células tubulares renais. Assim, a redução dos níveis de ácido úrico neste modelo atuou como protetor na progressão da lesão de microvasculatura e na redução da área de fibrose intersticial, mas não da lesão inflamatória. No modelo de nefropatia pela ciclosporina, assim como no de hiperuricemia, ocorre elevação da atividade de renina, sugerindo a participação do sistema renina angiotensina aldosterona na fibrose renal. Para determinar este efeito, um segundo estudo utilizou a associação de um inibidor de enzima conversora da angiotensina (enalapril), um bloqueador de receptor AT1 de angiotensina (losartan) ou um inibidor competitivo da aldosterona (espironolactona) ao tratamento com ciclosporina, após a instalação da lesão. Os animais experimentais receberam ciclosporina por 5 semanas, e após a instalação da nefropatia, foram divididos em um dos grupos experimentais e acompanhados por um período adicional de 4 semanas. A utilização de moduladores do SRAA também cursou com melhora funcional e histológica da nefropatia pela ciclosporina, sem alteração dos marcadores de inflamação intersticial. A melhora da vasculopatia pode ser atribuída à redução do remodelamento vascular com estas drogas, porém com efeito limitado sobre a geração de radicais livres de oxigênio e apoptose de células tubulares. Em resumo, os resultados do presente estudo indicam que em modelo experimental de nefrotoxicidade por CsA, o uso de hipouricemiantes ou de modeladores do sistema-renina-angiotensina-aldosterona apresentaram um importante efeito renoprotetor, comparável, do ponto de vista funcional, à interrupção do tratamento com ciclosporina. As duas abordagens terapêuticas foram eficientes na limitação da progressão da nefropatia, com reversão parcial da fibrose intersticial, provavelmente mediada por melhora de oxigenação tecidual secundária à redução da vasculopatia e do remodelamento vascular. A manutenção do estímulo tóxico da ciclosporina, com manutenção da inflamação, da geração de radicais livres de O2 e da apoptose de células tubulares, entretanto, não foi completamente neutralizado pela intervenção farmacológica. (AU)

Processo FAPESP: 07/55084-3 - Nefropatia cronica por ciclosporina-papel do acido urico e do sistema renina angiotensina aldosterona como mediadores de disfuncao endotelial, inflamacao e vasculopatia.
Beneficiário:Fernanda Cristina Mazali
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado