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Alienação mental e raça : a psicopatologia comparada dos negros e mestiços brasileiros na obra de Raimundo Nina Rodrigues

Autor(es):
Ana Maria Galdini Raimundo Oda
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Faculdade de Ciências Médicas
Data de defesa:
Membros da banca:
Manoel Tosta Berlinck; Naomar de Almeida Filho; Octavio Domont de Serpa Junior; Wilma Peres Costa
Orientador: Paulo Dalgalarrondo
Resumo

Esta tese enfoca um aspecto da história da medicina brasileira, localizado no período inicial da constituição de suas especialidades, entre elas a psiquiatria e a medicina legal. De forma geral, o trabalho analisa as repercussões no Brasil de determinadas teorias médicas que relacionavam os conceitos de raça, mestiçagem, degenerescência e alienação mental. o ponto principal deste trabalho é o estudo da obra do médico maranhense Raimundo Nina Rodrigues (1862-1906), professor de Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Bahia, que defendia a existência de particularidades nos negros e nos mestiços brasileiros, com relação à sua psicopatologia e à sua imputabilidade penal. Analisa-se a sua extensa produção científica, publicada no Brasil e no exterior, de 1890 a 1906. Como esta produção divide-se em várias áreas de interesse, a pesquisa privilegiou os seus estudos de psicopatologia comparada, em que os conceitos supracitados se articulam e se mostram em ação, na descrição de casos clínicos. Ainda que a tese se concentre nas idéias expressadas por Nina Rodrigues, destaca também um importante fundador da psiquiatria brasileira, o baiano Juliano Moreira (1873-1933), enfatizando as suas formulações sobre a não-ligação entre raça, degenerescência, neuropatologia e psicopatologia; em síntese, sua contraposição a Nina Rodrigues quanto às crenças na inferioridade mental inata do negro e no efeito negativo da mestiçagem, no caráter físico e mental dos brasileiros. A fim de contextualizar historicamente o instrumental teórico usado pelos autores citados, em dois capítulos preliminares se apresentam: as teorias raciais no século XIX, enfatizando a construção e a difusão do racismo científico; os desenvolvimentos teóricos dos alienistas europeus em torno das imagens da doença mental em povos ditos primitivos; e a evolução do conceito de degenerescência e suas propostas relações com a etiologia da alienação mental. Ao traçar a trajetória intelectual de Raimundo Nina Rodrigues e de Juliano Moreira evidencia-se que, a despeito de suas divergências, ambos trabalharam de maneira original as teorias vindas dos países europeus, caracterizando-se por uma postura epistemológica que valorizava a obtenção de conhecimentos a partir de pesquisas realizadas no contexto brasileiro. Os grandes debates internacionais do alienismo e da medicina legal da época, sob a óptica destes dois médicos brasileiros, deixam-se entrever em seus escritos. E ainda, ambos contribuíram significativamente para a consolidação de duas especialidades médicas no Brasil, a medicina legal e a psiquiatria, tanto na sistematização de seu ensino quanto nas práticas institucionais a elas associadas. (AU)

Processo FAPESP: 99/05968-4 - Alienação mental e raça: história da constituição de uma psiquiatria do negro no Brasil (1850-1930)
Beneficiário:Ana Maria Galdini Raimundo Oda
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado