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Linguagem, interação e cognição na doença de Alzheimer

Autor(es):
Fernanda Miranda da Cruz
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Estudos da Linguagem
Data de defesa:
Membros da banca:
Anna Christina Bentes da Silva; Roxane Helena Rodrigues Rojo; Maria Alice de Mattos Pimenta Parente; Pedro de Moraes Garcez
Orientador: Edwiges Maria Morato
Resumo

A Doença de Alzheimer (doravante, DA) é clinicamente definida como uma patologia cerebral degenerativa, cuja causa é ainda desconhecida. Ela afeta os níveis superiores de funcionamento cognitivo e é caracterizada por múltiplos déficits que comprometem o funcionamento mental e social do indivíduo. A DA não altera apenas as estruturas neurológicas, mas os processos cognitivos, a linguagem, a interação e a organização das práticas sociais cotidianas. O objetivo deste estudo é investigar, a partir de uma perspectiva sócio-cognitiva, a linguagem em interação na DA. Uma abordagem interacionista e sócio-cognitiva da linguagem na DA contribui na identificação e na compreensão da complexidade de aspectos que estão em jogo na constituição (e na perda) da cognição humana, como as nossas diversas práticas cotidianas de linguagem, o papel dos interlocutores, as identidades dos sujeitos, as instâncias interativas, as rotinas sociais, a indexicalidade dessas práticas e as inter-relações entre os níveis lingüísticos. A investigação da linguagem nos quadros de DA baseia-se num corpus de conversações entre sujeitos diagnosticados como portadores de DA (sujeitos dpDA) e distintos interlocutores, médicos, familiares e próximos coletadas em ambientes institucionais e não-institucionais em contextos naturais de ocorrência. Dois fenômenos serão destacados para análise. O primeiro deles refere-se à maneira como se organizam essas conversações, destacando o papel dos interlocutores nos dois ambientes institucionais e familiares e as implicações sócio-lingüísticas do diagnóstico de provável portador de Alzheimer. Num segundo momento, serão analisadas as ocorrências de repetições nessas interações. As repetições na linguagem dos sujeitos dpDA são produções lingüísticas que servem de base para a produção de hipóteses sobre as limitações ou produções lingüísticas decorrentes do declínio cognitivo e mnêmico. Fora das instâncias interativas nas quais são produzidas, elas são entendidas em termos de excesso (como produções automáticas, ecolálicas ou perseverativas), ou em termos de falta (das capacidades mnêmicas). O estudo das ocorrências de repetições na linguagem dos sujeitos dpDA é motivado pela hipótese de que há certas especificidades dessas formas verbais nessas interações. A expectativa é que a descrição das ocorrências de repetição nas interações possa contribuir para a compreensão do fenômeno da repetição nas neurodegenerescências, conjugando os seguintes aspectos em torno do tema: a repetição como capacidade lingüístico-cognitiva; as funções da repetição na linguagem em uso dos sujeitos com Alzheimer; as naturezas patológica, funcional e heterogênea das repetições na linguagem das pessoas com Alzheimer e o caráter degenerativo e progressivo da perda sócio-cognitiva na DA. (AU)

Processo FAPESP: 04/00965-7 - A linguagem nos estágios iniciais de doença de Alzheimer: contribuições aos estudos neurolinguísticos da relação entre linguagem e memória
Beneficiário:Fernanda Miranda da Cruz
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado