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O fundamento antropológico da vontade geral em Rousseau

Autor(es):
Marisa Alves Vento
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Data de defesa:
Membros da banca:
Jacira de Freitas; Helena Esser dos Reis; Genildo Ferreira da Silva; Renato Moscateli
Orientador: José Oscar de Almeida Marques
Resumo

A pesquisa apresentada compreende a antropologia rousseauniana, abrangendo desde as investigações sobre o homem e a sua natureza originária até a idealização, no campo político, de uma sociedade fundada sobre a vontade legítima de cada cidadão que a compõe. O objetivo que se impôs alcançar está ancorado no pressuposto de que os princípios antropológicos estabelecidos por Rousseau no Segundo Discurso norteiam o seu pensamento político. Assim, busca-se demonstrar que uma das noções cruciais da sua filosofia política, a vontade geral, tem como fundamento o princípio antropológico do amor de si. Entretanto, para derivar a vontade geral do amor de si, interpretando-a como a vontade que o indivíduo tem pelo todo porque o considera como a si mesmo, é importante compreender como Rousseau justifica e relaciona a existência e a prevalência desse sentimento de preferência por si mesmo com a extrema exigência ética, expressa pela conformação da vontade particular do indivíduo à vontade geral do Estado. A compreensão desse componente primordial da natureza individual exige examinar, mais profundamente, a concepção de indivíduo e o papel específico que o princípio do amor de si desempenha na estruturação da identidade individual. Isto permitirá considerar a pertinência de, por um lado, apontar o amor de si como o vetor do desenvolvimento do indivíduo, e de outro, admitir a possibilidade de que ele constitua o liame social da ordem política legítima, uma vez que permite ao indivíduo buscar seu bem-estar sem se opor a outrem. Em decorrência da primazia desse princípio, a noção de interesse se mostra nuclear no pensamento de Rousseau, pois se apresenta como único objeto possível da vontade. Pretende-se mostrar como a temática do interesse, resultante dos desdobramentos das noções de amor de si e amor próprio, é retomada por Rousseau, que dá a ela uma nova direção e a requalifica segundo uma lógica própria, a lógica de imanência. Nessa perspectiva, a noção de interesse, vista por Rousseau como o bem do ser que deseja, passa a ser uma relação que ganha sua força no ser do indivíduo que, a partir da sua relação consigo mesmo, estabelece a relação com outro e com o mundo. Desse modo, acredita-se que a articulação entre as noções de indivíduo (movido pelo amor de si), interesse (de ser) e vontade geral possa dar conta da possível unidade de interesse do corpo político com o interesse particular de cada indivíduo, o que forma o corolário da vontade geral. (AU)

Processo FAPESP: 09/50597-8 - O fundamento antropologico da vontade geral em rosseau
Beneficiário:Marisa Alves Vento
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado