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Sistemas precursores de cristais líquidos mucoadesivos para administração bucal de curcumina associados à terapia fotodinâmica no tratamento da candidose bucal.

Texto completo
Autor(es):
Jéssica Bernegossi
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Araraquara. 2018-07-31.
Instituição: Universidade Estadual Paulista (Unesp). Faculdade de Ciências Farmacêuticas. Araraquara
Data de defesa:
Orientador: Marlus Chorilli; Lívia Nordi Dovigo
Resumo

A candidose bucal é causada principalmente pela levedura oportunista Candida albicans. O tratamento envolve a administração de antifúngicos de uso tópico ou sistêmico, para os quais se tem observado casos de resistência. Pesquisadores estão buscando métodos alternativos, como a terapia fotodinâmica antimicrobinana e a descoberta de substâncias de origem natural que possam apresentar interesse terapêutico no tratamento da candidose bucal, como a curcumina, cuja ação antifúngica pode ser potencializada pelo emprego da luz, uma vez que atua também como fotossensibilizador. Todavia, esse fármaco apresenta características físico-químicas limitantes, como baixa solubilidade aquosa. Logo, sua incorporação em sistemas precursores de cristais líquidos (SPCL) acrescidos de polímeros mucoadesivos demonstra ser uma opção interessante para viabilizar o seu uso. O trabalho objetiva a avaliação de SPCL mucoadesivos para administração bucal de curcumina, bem como verificar o efeito do tratamento da candidose bucal com o uso da terapia fotodinâmica, empregando estudos in vitro e in vivo. Para isso, foram desenvolvidos SPCL compostos de ácido oleico, álcool cetílico etoxilado e propoxilado (Procetyl® AWS) e dispersão polimérica de poloxamer (16%) e/ou polietilenoimina (0,5%), capazes de incorporar a curcumina, os quais foram caracterizados empregando microscopia de luz polarizada (MLP), reologia, espalhamento de raios X de baixo ângulo (SAXS) e mucoadesão in vitro, antes e após a diluição com saliva artificial. Foram realizados estudos de liberação in vitro, permeação e retenção ex vivo, além de ensaios biológicos in vitro e in vivo para a avaliação da curcumina incorporada em SPCL frente a Candida albicans. Na MLP, foi possível a visualização da transição dos SPCL, caracterizado como campo escuro, para mesofases hexagonais e lamelares, características de sistemas líquido-cristalinos. Os resultados reológicos evidenciaram que os sistemas obtidos apresentaram-se inicialmente como Newtonianos e após a adição da saliva artificial mostraram-se como não Newtonianos, pseudoplásticos. Os resultados de SAXS corroboraram com os resultados de MLP. No ensaio de mucoadesão in vitro foi observado que houve maior força de atração entre a mucosa e a formulação nas amostras que continham a união dos dois polímeros e após a adição da saliva artificial. No ensaio de liberação in vitro foi observado que os sistemas modificaram o perfil de liberação da curcumina quando comparado com o fármaco em solução. No ensaio de permeação ex vivo foi observado que os sistemas não foram capazes de permearem a membrana esofágica; contudo, quantidade significativa de curcumina foi detectada no ensaio de retenção. No ensaio de viabilidade celular evidenciaram que após 24h do SPCL em contato com as células testadas, estas ainda apresentaram 75% de células viáveis quando comparado ao controle de células vivas. O ensaio in vivo mostrou que após 24h de tratamento não houve efeito antimicrobiano em relação ao controle positivo. Contudo, os dados obtidos dos animais analisados após 7 dias do último tratamento, mostram promitentes, uma vez que em alguns dos animais não tiveram crescimento de colônias no grupo PP-CUR-PDT. Na análise histológica dos animais analisados após 24h do último tratamento, foi observada a presença de pseudo-hifas de Candida albicans no tecido epitelial dos animais tratados apenas PP-CUR sem irradiação de luz; todavia, os animais tratados com a formulação de curcumina em associação a luz não apresentaram a levedura segundo análise histológica. Logo, os resultados obtidos neste trabalho sugerem que os sistemas desenvolvidos e caracterizados apresentaram características almejadas no tratamento da candidose bucal, de modo a facilitar a aplicação e permanência na mucosa da boca, sendo também capaz de controlar a liberação da curcumina. (AU)