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Etnoictiologia, dieta e tabus alimentares dos pescadores artesanais de Ilhabel/SP

Autor(es):
Milena Ramires
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Data de defesa:
Membros da banca:
Cristiana Simão Seixas; Paulo Inácio Prado; Natalia Hanazaki; Walter Barrella
Orientador: Alpina Begossi
Área do conhecimento: Ciências Biológicas - Ecologia
Indexada em: Base Acervus-UNICAMP; Biblioteca Digital da UNICAMP
Localização: Universidade Estadual de Campinas. Biblioteca Central Cesar Lattes; T/UNICAMP; R145e; Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Biblioteca Prof. Dr. Octavio Ianni; T/UNICAMP; R145e
Resumo

Esta tese foi desenvolvida em três comunidades de pescadores artesanais de Ilhabela, localizadas no litoral norte do Estado de São Paulo, Brasil. O objetivo geral foi analisar, por meio de levantamento etnoictiológico, análise da dieta e tabus alimentares, as interações os pescadores com os recursos pesqueiros, bem como a diversidade de uso dos peixes, visando entender os aspectos ambientais e culturais da interação homem-pesca-peixes. A coleta dos dados etnobiológicos foi realizada através de entrevistas com o auxílio de questionários semi-estruturados e fotos de espécies de peixes da região. Para a coleta dos dados sobre a dieta foram realizados recordatórios de 24 horas verificando os itens alimentares consumidos. Para as preferências e os tabus alimentares os pescadores e demais membros da família maiores de 18 anos foram entrevistados com roteiros estruturados. Foram coletados, fixados e identificados exemplares da ictiofauna presente nos desembarques acontecidos nas comunidades durante os períodos de coleta de dados. Os dados etnobiológicos foram analisados através de comparações com as informações científicas da literatura ictiológica. Os dados de dieta foram analisados através de índices de diversidade, amplitude de nicho, curvas de rarefação e teste t. Participaram desta pesquisa 15 famílias da praia da Serraria, 4 da praia do Jabaquara e 5 da praia da Fome, totalizando 26 entrevistas de etnoictiologia, 489 refeições amostradas e 26 entrevistas de preferências e tabus alimentares. De acordo com o conhecimento dos pescadores foi produzida uma listagem etnotaxonômica composta por 41 nomes genéricos e 17 binomiais e formados de 8 agrupamentos de peixes considerados "parentes". Estas e as demais informações sobre ecologia (alimentação, hábitat, predação e formação de cardumes) dos peixes apresentaram elevada concordância com a literatura cientifica. A dieta dos pescadores mostrou-se diversificada em relação ao total de itens alimentares consumidos e algumas diferenças foram identificadas na comparação entre as comunidades. Os pescadores preferem consumir peixes de escama e não consomem o baiacu, devido a sua característica tóxica. Alguns peixes são evitados em casos como feridas, inflamações, gravidez e pós parto e outros são indicados como peixes medicinais nestas situações. Tanto aspectos relativos à dieta, quanto ao consumo de pescado e a atividade de pesca fazem parte do corpo de conhecimento dos pescadores e suas famílias e constituem um acervo rico de informações que somadas as informações biológicas são úteis para a conservação dos recursos pesqueiros (AU)