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Disputas territoriais entre o agroextrativismo do pequi e o agronegócio na substituição do Cerrado por monocultivos agroindustriais : estudo das microrregiões de Porto Franco-MA e Jalapão-TO

Autor(es):
Rodrigo Meiners Mandujano
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Geociências
Data de defesa:
Membros da banca:
Edvaldo César Moretti; Marta Inez Medeiros Marques
Orientador: Vicente Eudes Lemos Alves
Resumo

O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, sua superfície corresponde a aproximadamente 21% do território do país. É considerado a Savana Tropical mais biodiversa do mundo e fornece grandes quantidades de água para as principais bacias hidrográficas do país. Porém, a inserção do agronegócio capitalista reflete em intenso desmatamento do bioma que, nos últimos 35 anos, perdeu quase a metade da sua superfície original. O pequizeiro é uma árvore de valor identitário do Cerrado, amplamente distribuída no bioma e faz parte da cultura regional dos povos tradicionais. Os objetivos do trabalho foram analisar os processos organizacionais, as estratégias de resistência e os modos de vida das organizações dos agroextrativistas do pequi no contexto da disputa pela terra com a expansão do agronegócio nas microrregiões de Porto Franco-MA e Jalapão-TO. Foram realizadas duas saídas a campo, em que foram coletadas informações por meio de entrevistas e diário de campo. Verificou-se que o pequi faz parte da cultura dos camponeses e indígenas, com a persistência de seu uso nos modos de vida, principalmente como complemento alimentar na dieta básica da população. O fruto é intensamente consumido na época da safra e comercializado de maneira informal pelos camponeses, com venda do fruto in natura para atravessadores de outras regiões. Somente uma organização comercializa derivados do fruto no mercado local e outra se encontra inoperante no momento, mas realiza uma festa anual do pequi. As principais razões do fracasso da produção e comercialização do pequi em uma rede articulada incluem: a falta de acompanhamento e análise dos resultados dos apoios governamentais e não governamentais recebidos; as regiões conservadas não têm projetos estruturados de conservação ambiental; travas na legislação e falta de capacitação e investimento para cumprimento das obrigações fito sanitárias para inclusão nos programas de apoio ao agroextrativismo; desinteresse e falta de perspectivas dos jovens das microrregiões para o agroextrativismo; ausência da participação e protagonismo das mulheres. Foi observada marcante despolitização das organizações agroextrativistas, sem posturas críticas com a identidade camponesa e com o agroextrativismo, pois atuam desconectadas dos movimentos sociais no campo. As disputas territoriais baseadas na estratégia de construção de atividades produtivas diante do avanço dos monocultivos capitalistas carecem de força, facilitando a expansão do agronegócio de forma alarmante. (AU)

Processo FAPESP: 11/05336-1 - Agroextrativismo do pequi e expansão da soja no cerrado: estudo espacial das microrregiões Porto Franco-MA e Jalapão-TO
Beneficiário:Rodrigo Meiners Mandujano
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Mestrado