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Voz d\'Angola clamando no deserto: protesto e reivindicação em Luanda (1881-1901)

Texto completo
Autor(es):
Helena Wakim Moreno
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/SBD)
Data de defesa:
Membros da banca:
Leila Maria Gonçalves Leite Hernandez; Muryatan Santana Barbosa; Vima Lia de Rossi Martin
Orientador: Leila Maria Gonçalves Leite Hernandez
Resumo

Este estudo tem como objetivo analisar Voz d´Angola clamando no deserto offerecida aos amigos da verdade pelos naturaes (1901), obra coletiva e anônima composta por onze artigos e publicada por filhos do país que viviam em Luanda e no interior próximo. Grupo de fronteira, produto dos encontros entre os Mbundu e os portugueses, os filhos do país atuaram como traficantes de escravos desde o século XVII, de quando datam os primeiro registros de sua presença na colônia. Após a proibição do tráfico, conseguiram colocações em postos intermediários e baixos da administração colonial por serem letrados, mas principalmente porque o governo português carecia de funcionários. A partir da década de 1880, pressionado pelas disputas territoriais na África com outros países europeus, Portugal passou a incentivar a ida de imigrantes portugueses para Angola, tendo como uma das consequências o gradual alijamento dos filhos do país dos cargos no governo. Nesta mesma época, surgiram os primeiros órgãos de imprensa dirigidos por filhos do país em Luanda, cujas páginas traziam protestos contra a sua situação, críticas ao governo e embates com os colonos portugueses. Em meio a este cenário de confronto, é publicada Voz d´Angola clamando no deserto, tida como expressão máxima dessa geração de filhos do país. Amparado em diversas fontes documentais e através da interpretação dos artigos que compõe a obra, este trabalho procura demonstrar como é feita uma dura crítica às situações de opressão a que os africanos eram submetidos devido à presença colonial portuguesa, trazendo avanços quando comparada a outras publicações dos filhos do país, mas também limitações de sua época. (AU)