Resumo
Antocianinas são compostos polifenólicos com propriedades benéficas à saúde humana. Contudo, são compostos bioativos com alta instabilidade molecular em decorrência de fatores ambientais e de fatores intrínsecos à digestão humana. No trato gastrointestinal, as antocianinas passam por intenso processo de biotransformação estrutural, reduzindo as suas funcionalidades, limitando o aproveitamento biológico e dificultando o alcance a determinados tecidos. Antocianinas nanoencapsuladas podem ser estabilizadas química e fisicamente, potencializando a absorção das estruturas íntegras e preservando suas propriedades biológicas. Pectina e lisozima são biomateriais utilizados em nanoestruturas para encapsular compostos quimicamente instáveis, como as antocianinas (já realizado pelo grupo e com patente depositada), conferindo estabilidade e atenuando os efeitos químicos e biológicos responsáveis pela degradação. As nanocápsulas formadas podem ser efetivamente absorvidas pelas estruturas celulares in vitro, sem efeito citotóxico, conforme resultados publicados pelo grupo. Desta forma, o objetivo do presente estudo é avaliar a biodisponibilidade e biodistribuição in vivo de antocianinas extraídas de amora-preta (Rubus spp.) nanoencapsuladas em estrutura à base de pectina e lisozima, bem como o efeito dessas nanopartículas em lesões pré-neoplásicas de câncer de cólon quimicamente induzidas em ratos. Para analisar a biodistribuição das nanoestruturas, foi elaborada uma nova metodologia para marcar as antocianinas através da incorporação de um radioisótopo que serão administradas por via oral e a distribuição biológica será avaliada em tempo real utilizando PET-SCAN. Para analisar a biodisponibilidade, as nanoestruturas serão administradas via oral em ratos Wistar saudáveis. Alíquotas de sangue serão coletadas em diferentes tempos e os metabólitos séricos serão avaliados por HPLC-MS/MS. Serão coletados diferentes tecidos corporais para a análise dos marcadores de absorção das antocianinas no organismo. Animais quimicamente induzidos ao desenvolvimento de lesões pré-neoplásicas de câncer de cólon serão tratados com as antocianinas nanoencapsuladas ou livres, e o número de lesões será comparado ao grupo controle não-tratado. Espera-se com os resultados compreender o processo de absorção e distribuição das nanoestruturas, observar o trajeto no organismo das antocianinas nanoencapsuladas, e possíveis incrementos na biodisponibilidade e nos efeitos anticancerígenos ocasionados pela nanoencapsulação. A identificação dos efeitos biológicos de antocianinas nanoencapsuladas pode indicar a potencial aplicabilidade tecnológica para o enriquecimento de alimentos, desenvolvimento de suplementos e podem ser efetivas como tratamento adjuvante para o câncer de colón. (AU)
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