Busca avançada
Ano de início
Entree

Ao mínimo gesto: estudo dos recursos multimodais (aspectos verbais, gestos, corpo e mundo material) nas interações envolvendo crianças com TEA (Transtornos do Espectro Autista)

Processo: 18/07565-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de outubro de 2018 - 30 de setembro de 2020
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Teoria e Análise Lingüística
Pesquisador responsável:Fernanda Miranda da Cruz
Beneficiário:Fernanda Miranda da Cruz
Instituição-sede: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Guarulhos. Guarulhos , SP, Brasil
Pesq. associados:Ana Carina Tamanaha
Bolsa(s) vinculada(s):19/01886-9 - Trabalho com dados linguístico-interacionais com softwares e apoio as pesquisas linguísticas do Laboratório de Multimodalidade /UNIFESP, BP.TT
18/24794-0 - Trabalho com dados linguístico-interacionais com softwares e apoio as pesquisas linguísticas do laboratório de multimodalidade /UNIFESP, BP.TT
Assunto(s):Gestos 

Resumo

A presente proposta de pesquisa visa a investigar e sistematizar, descritiva e analiticamente, as relações entre língua, corpo e mundo material constitutivas de nossas interações humanas. Essas relações serão exploradas em um contexto empírico particular, a saber, em interações cotidianas de co-presença entre crianças com diagnóstico de TEA (Transtornos do Espectro Autista). Nos dedicaremos a três frentes de trabalho. Uma delas, é a análise de interações cotidianas que tenham a presença/participação de sujeitos com diagnóstico de TEA, exploradas a partir de dois corpora audiovisuais: 1. O Corpus Pandorga : constituído de interações registradas em vídeo em um centro de convivência de crianças com TEA, situado na cidade de São Leopoldo, RS; e 2. o Corpus Audiovisual de interações entre terapeutas-crianças-familiares registradas no Núcleo de Investigação Fonoaudiológica em Linguagem de Crianças e Adolescentes com Transtornos do Espectro Autista (NIFLINC-TEA) do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Sao Paulo. A análise dos dados será fundamentada por uma perspectiva corporificada da interação (Streeck, Goodwin, Le Baron, 2011; Depperman, 2013). Uma segunda frente é a reflexão teórica em torno do estatuto e do papel dos gestos, do corpo e do mundo material na construção e constituição da interação humana e sua relação com os processos linguístico-cognitivos. E uma terceira frente ainda é a geração de novos dados audiovisuais de interações envolvendo crianças com TEA para construção de documentação e corpora linguistico-interacionais para estudos do TEA. Os novos dados serão gerados a partir do aprofundamento das questões relativas ao campo da videoanálise (Mondada, 2008a, Knoblauch et al., 2012; LeBaron, 2017; Luff, 2017), incluindo: procedimentos de registros de interações em ambientes complexos (envolvendo muitos participantes, recurso a objetos e movimentação corporal); a própria construção de corpora audiovisuais para pesquisas linguístico-interacionais envolvendo contextos de alterações linguístico-cognitivas e para pesquisas nas área de saúde ou de perspectiva multidisciplinar dos TEAs; o convite a uma mentalidade analítica visual das interações sociais humanas envolvendo não apenas os aspectos verbais que a constituem, mas também o espaço físico, os corpos e o mundo material. As interações que nos interessarão explorar são interações que envolvem a presença ou a participação de crianças diagnosticadas dentro dos Transtornos do Espectro Autista (TEA). Os TEA correspondem a um grupo relativamente heterogêneo de condições que afetam o desenvolvimento neurocognitivo e que comprometem, de formas e graus distintos, o desenvolvimento da linguagem e a participação dos sujeitos em interações sociais (Lai e Baron-Cohen, 2014, Cunha, Bordini e Caetano, 2015). Um comprometimento no engajamento social decorrente dos TEA afeta, de distintas maneiras, as formas pelas quais tanto os sujeitos com TEA quanto seus interlocutores, sejam eles familiares, próximos ou profissionais, organizam e estruturam suas interações.Levantamos, por ora, uma hipótese ou uma linha de análise: a de que é possível identificar e sistematizar certas configurações interacionais que parecem favoráveis à emergência de uma sociabilidade autista, ou em outras palavras, que potencializam uma sociabilidade autista. A sociabilidade autista para nós será lida como as formas pelas quais as crianças autistas, através de recursos, configurações e formas que podem ser muito variados, participam de momentos de interação com o outro. Este será o fio condutor da exploração analítica dos corpora audiovisuais para estudo dos TEA. Dentre essas configurações, destacamos como pertinentes: a disposição espacial e corporal dos participantes; as várias formas de relação com o ambiente material e físico; e o uso de gestos e ações corporais de todos os envolvidos e suas correlações com as produções verbais. (AU)