Resumo
Há mais de 32 mil pessoas na fila de espera por tratamentos de fisioterapia no SUS da Capital de São Paulo (SMS, 2020). O tempo de atendimento chega até 1 ano em decorrência da pouca disponibilidade de recursos adequados. Além disso, cerca de 75% da população brasileira não possui plano de saúde ou convênio médico particular (ANS, 2020), fato que contribui para o aumento de pessoas que recorrem ao SUS. É dever do Estado prover um sistema de saúde público gratuito, de qualidade e acessível a todos os brasileiros (BRASIL, 1988). Entretanto, observa-se que o acesso - disponibilidade e gratuidade - nem sempre acontece, fato que dificulta ou mesmo impede a realização dos tratamentos recomendados. Roberto Schahin, diretor do BRSurgery, Hospital Cirúrgico de Especialidade em entrevista concedida em 2019, afirmou que cerca de 70% dos casos são encaminhados para um hospital, comparados com cerca de 40% nos EUA. "Isso ocorre porque nos EUA existe uma franja de serviços que desafogam os hospitais", completa. Essa franja a que ele se refere inclui clínicas, ambulatórios e a própria telemedicina que, com a pandemia da Covid-19, foi finalmente reconhecida e regulamentada no Brasil. Sem essa gama de serviços de saúde não hospitalares à disposição da população houve um aumento de 465% no consumo de opiáceos, ou medicações para atenuar a dor, entre 2009 e 2015 (FIOCRUZ, 2020). Entrevistas realizadas em 2020 com a Profa. Dra. Clarice Tanaka, Professora Titular e Diretora da Divisão de Fisioterapia do ICHC e com a Profa. Dra. Linamara Battistella, Professora Titular de Fisiatria na FMUSP, evidenciaram que uma das grandes questões na manutenção dos exercícios é a dificuldade do engajamento do paciente no tratamento e, portanto, a sua continuidade em domicílio (CLARICE TANAKA, 2020). Há, então, três grandes desafios: a) os familiares do paciente têm que se engajar nos tratamentos de reabilitação mais complexos na sua rotina de exercícios; b) o próprio paciente se sente constrangido de ser cuidado por familiares; e c) o desafio de vencer as dificuldades do monitoramento à distância (LINAMARA BATTISTELLA, 2020). Uma das grandes demandas do setor de fisioterapia é por um "dispositivo portátil, robusto, de baixo custo, e que requeira baixa alfabetização digital" ou, que seja tão simples de operar como abrir um pote de remédio ou apertar um botão (CLARICE TANAKA, 2020), e que ofereça monitoramento à distância com segurança no compartilhamento de dados (LINAMARA BATTISTELLA, 2020). Um dispositivo com essas características estaria alinhado à legalização dos teleatendimentos e abriria uma nova frente de trabalho para fisioterapeutas e profissionais da saúde. Adicionalmente ofereceria acesso a exercícios físicos para prevenir e tratar sintomas mais complexos em reabilitação fato que desafogaria os centros de saúde pública. O objetivo desta pesquisa é, portanto, analisar a viabilidade técnica (leia-se testar o conceito) de construir um dispositivo portátil, robusto, fácil de operar, que permita monitoramento em tempo real e à distância dos pacientes pelos centros de reabilitação e profissionais de saúde. O equipamento poderá ser utilizado em casa pelo paciente melhorando o acesso ao tratamento recomendado evitando deslocamentos desnecessários e diminuindo assim a fila de espera. (AU)
| Matéria(s) publicada(s) na Agência FAPESP sobre o auxílio: |
| Mais itensMenos itens |
| TITULO |
| Matéria(s) publicada(s) em Outras Mídias ( ): |
| Mais itensMenos itens |
| VEICULO: TITULO (DATA) |
| VEICULO: TITULO (DATA) |