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O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) em áreas protegidas e seus entornos no Cerrado do nordeste do estado de São Paulo

Texto completo
Autor(es):
Natália Fraguas Versiani
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Ribeirão Preto.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
Data de defesa:
Membros da banca:
Adriano Garcia Chiarello; Renata Pardini; Luciano Martins Verdade
Orientador: Adriano Garcia Chiarello
Resumo

As áreas protegidas, tanto públicas quanto privadas, e suas áreas de entorno têm desempenhado um papel relevante na sobrevivência de diversas espécies de mamíferos de médio e grande porte. Por essa razão, este estudo teve como primeiro objetivo estimar a riqueza de espécies de mamíferos de médio e grande porte no interior de três áreas de estudo com diferentes níveis de proteção, assim como nas suas respectivas áreas de entorno. Em segundo, e como principal objetivo deste trabalho, foi estimar as probabilidades de ocupação () e detecção (p) de uma espécie ameaçada, o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), assim como avaliar se a ocorrência e o período de atividade dessa espécie são afetados pela presença humana. Todos os dados foram coletados por armadilhas fotográficas em três áreas de estudo no nordeste do Estado de São Paulo. A riqueza de mamíferos de médio e grande porte na região de estudo não é diferente entre as áreas com diferentes níveis de proteção ou entre interior e entorno. Quanto às análises de ocupação (uso), todas as covariáveis que influenciaram foram associadas com atividades humanas, positivamente para estradas e para áreas protegidas, e negativamente para proporção de área urbana. A relação positiva com estradas não pavimentadas é inesperada e pode sugerir que a espécie prefere mover-se ao longo da paisagem usando estradas para minimizar o tempo de viagem ou maximizar o forrageamento em paisagens alteradas. A presença humana não afetou positivamente ou negativamente o uso do espaço pelo tamanduá-bandeira, já que ambos ocorreram de maneira independente um do outro ( = 1). Este achado sugere que a falta de influência resulta em parte das características da paisagem de estudo (pressão de caça aparentemente baixa e uma razoável proporção de habitats nativos ainda presentes e protegidos), do desenho amostral empregado (concentrado em áreas protegidas e nas suas zonas de amortecimento) e, provavelmente, da baixa sobreposição nos períodos de atividades encontrada entre ambas espécies. Portanto, esses resultados indicam que tanto a sobrevivência da comunidade de mamíferos como, especificamente, do tamanduá-bandeira na região de estudo é fortemente dependente tanto das unidades de conservação (UC) como das áreas de vegetação nativas existentes em propriedades privadas protegidas pelo Código Florestal Brasileiro, além dos habitats perturbados no entorno dos grandes remanescentes. Todos os resultados encontrados são importantes para embasar a criação de novas áreas protegidas, assim como para o estabelecimento e manejo de zonas de amortecimento, pois indicam que estas têm papel chave na redução dos efeitos das atividades humanas sobre as UCs e na manutenção de populações viáveis das espécies presentes na região. (AU)

Processo FAPESP: 11/23421-6 - Ocupação da paisagem pelo tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) em áreas de cerrado com diferentes níveis de perturbação no nordeste paulista
Beneficiário:Natalia Fraguas Versiani
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado