Texto completo
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| Autor(es): |
Julia Marx de Souza
Número total de Autores: 1
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| Tipo de documento: | Dissertação de Mestrado |
| Imprenta: | São Paulo. |
| Instituição: | Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Biociências (IBIOC/SB) |
| Data de defesa: | 2024-12-17 |
| Membros da banca: |
Hudson Tercio Pinheiro;
Thiago Costa Mendes
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| Orientador: | Hudson Tercio Pinheiro |
| Resumo | |
O Oceano Atlântico abriga distintas províncias biogeográficas, cuja diversidade é influenciada por barreiras naturais, como a vastidão do oceano, correntes marinhas, drenagens fluviais e gradientes de temperatura e profundidade. Essas barreiras moldam a distribuição e a composição das comunidades marinhas, levando ao surgimento de comunidades especializadas e endêmicas. Entre os ecossistemas presentes, os recifes mesofóticos, localizados entre 30 e 150 metros de profundidade, apresentam biodiversidade única. Apesar de sua relevância ecológica, esses ecossistemas permanecem subamostrados e estão cada vez mais sujeitos à impactos antrópicos, como pesca e mudanças climáticas. Assim, diversidade funcional surge como uma abordagem fundamental para compreender como as comunidades biológicas desempenham funções ecológicas e respondem às mudanças no ambiente, contribuindo para estratégias de conservação mais eficazes. Neste contexto, este estudo investiga, de forma inédita, como fatores biogeográficos, históricos e ambientais influenciam a distribuição de peixes ao longo do gradiente de profundidade. O estudo foi realizado em três províncias distintas: no Arquipélago de Fernando de Noronha (AFN) e Arquipélago de São Pedro & São Paulo (ASPSP), no Brasil; em Bermuda, Honduras e Curaçao, no Caribe; e em Cabo Verde, na África. No Brasil, os resultados destacaram diferenças marcantes entre as comunidades de peixes recifais das duas localidades estudadas. Enquanto AFN apresentou maior diversidade de espécies, ASPSP se destacou pela diversidade funcional, com comunidades caracterizadas por atributos únicos e especializações, especialmente em profundidades maiores. Isso evidencia como fatores ecológicos e biogeográficos moldam as comunidades de forma distinta. No ponto de vista mais amplo, considerando as três províncias estudadas, tanto a provincialidade quanto a profundidade foram fatores significativos na estruturação das comunidades de peixes recifais. Entretanto, enquanto a composição taxonômica revelou padrões de gradiente de profundidade independentes entre províncias, as análises de diversidade funcional indicaram que os atributos foram predominantemente influenciados pela profundidade. Esses resultados sugerem que a profundidade exerce um papel mais importante na variação dos aspectos funcionais das comunidades, enquanto a biogeografia influencia principalmente a distribuição das espécies. Esses achados ressaltam a importância dos processos evolutivos que moldam comunidades isoladas e profundas, reforçando a necessidade de estratégias de conservação que considerem a diversidade funcional nesses sistemas vulneráveis. (AU) | |
| Processo FAPESP: | 22/08684-5 - Estrutura da comunidade de peixes recifais em ecossistemas mesofóticos: uma análise entre os gradientes de profundidade em províncias biogeográficas do Oceano Atlântico |
| Beneficiário: | Julia Marx de Souza |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Mestrado |