Resumo
No atual contexto, agências de proteção ambiental no mundo inteiro estão enrijecendo, cada vez mais, legislações relacionadas às emissões atmosféricas de Compostos Orgânicos Voláteis (COV). As emendas do Clean Air Act (1990), associadas à Agência Reguladora Ambiental dos Estados Unidos (USEPA), aumentaram o número de compostos tóxicos a serem controlados de 7 para 189, dos quais 50% são COV. No Brasil, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) definiu compostos orgânicos voláteis pela Resolução n°382/2006 como: "compostos orgânicos que possuem ponto ebulição de até 130ºC na pressão atmosférica e podem contribuir na formação dos oxidantes fotoquímicos", mas não estipulou limites legais de emissão. Em 2009, o Plano Nacional de Qualidade do Ar (PNQA) trouxe como projeto a quantificação de emissões locais de COV e designação de áreas críticas. Tendo em vista o cenário descrito, este trabalho propõe um sistema inovador para o abatimento de COV que seja apropriado em condições nas quais as atuais tecnologias empregadas mostram deficiências. O processo de tratamento baseia-se na foto-oxidação catalítica dos contaminantes em contato com dióxido de titânio (TiO2) e radiação ultravioleta. Com base na compreensão e experiência existente quanto à aplicação da técnica ao tratamento de efluentes gasosos obtida nas últimas duas décadas, este trabalho objetiva desenvolver um reator de leito fluidizado de arraste e recirculação de catalisador heterogêneo. Na literatura, esta configuração de reator é conhecida como STTR (Straight-Throught Transport Reactor). A partir dos resultados obtidos e informações de publicações científicas relacionadas ao tema, entende-se que esta configuração potencializará a capacidade de tratamento e facilitará a operação do processo. O reator para experimentos será construído em vidro e consistirá de um canal anular de fluxo ascendente, com um prato para distribuição de fluxo em sua entrada. Na porção interior deste ânulo estará instalada uma lâmpada com emissão no ultravioleta, protegida por um invólucro de quartzo. Acoplado ao canal anular, haverá um ciclone e um elemento mecânico de retorno do catalisador. O gás tratado será exaurido pelo ciclone. O catalisador que preencherá o reator será TiO2 impregnado em sílica-gel pelo método sol-gel. Um compressor captará o ar ambiente. A umidade do ar capturado será controlada por um secador e um sistema de saturação de uma parcela desta corrente de ar. Esta corrente será contaminada com concentração conhecida de benzeno, tolueno, etil-benzeno e xileno. A viabilidade do reator será avaliada com base no abatimento dos poluentes presentes nesta corrente. Nesta fase 1 do projeto, a unidade de experimentos será construída, amostras serão coletadas dos ensaios experimentais e enviadas para laboratórios de análise contratados, seguindo as principais normas e padrões recomendados. Para realização deste projeto, a empresa contará com a consultoria dos seguintes pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP): Prof. Dr. Antonio Carlos S. C. Teixeira, Prof. Dr. José Luis de Paiva, Prof. Dr. Roberto Guardani, e Dr. Thiago L. R. Hewer, todos eles especialistas reconhecidos nos tema abrangidos por esta pesquisa. Um acordo sobre propriedade intelectual será firmado junto à USP nesta etapa. O produto desta fase do desenvolvimento será um relatório técnico contendo os resultados de experimentos e dados de desempenho do sistema, critérios de projeto do reator e um estudo preliminar da viabilidade técnica e econômica de implantação do sistema. Em caso de um resultado positivo, este estudo servirá como base para aumento de escala do equipamento a ser realizada em um projeto PIPE Fase 2. (AU)
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