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Origem e evolução da avifauna dos Brejos de Altitude do nordeste: compreendendo as conexões passadas entre Mata Atlântica e Amazônia

Processo: 18/20249-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de agosto de 2020 - 31 de julho de 2022
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Zoologia - Taxonomia dos Grupos Recentes
Convênio/Acordo: FACEPE
Pesquisador responsável:Luís Fábio Silveira
Beneficiário:Luís Fábio Silveira
Instituição-sede: Museu de Zoologia (MZ). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Sistemática  Conservação  Taxonomia  Ornitologia  Evolução 

Resumo

Nas últimas décadas foram propostas novas hipóteses biogeográficas para região Neotropical através de dados paleontológicos, geológicos e filogenéticos. No entanto ainda são poucos os estudos que focam na Caatinga, apesar de ser um bioma único brasileiro, com alto grau de endemismo, muitas espécies ameaçadas, altamente degradada e com poucas unidades de conservação. A Caatinga é uma região heterogênea. Dentre a complexidade paisagística da Caatinga destacam-se os Brejos de Altitude, que são enclaves de matas úmidas entre c. 500 e 1100 m de altitude, representando ilhas de florestas entre a Mata Atlântica e a Amazônia. Devido ao alto grau de isolamento, os Brejos abrigam diversas espécies endêmicas, e linhagens monofiléticas, sendo a conservação destas áreas crucial para a conservação da diversidade regional. Mesmo estando localizados em áreas de cabeceiras de bacias hidrográficas desempenhando assim um importante papel na manutenção dos ciclos hidrológicos da região, as áreas de Brejo estão sendo destruídas. Acredita-se que as matas úmidas que constituem os Brejos de Altitude originaram-se devido à expansão e retração da Mata Atlântica e da Amazônia. No entanto ainda não se sabe exatamente como e quando esses dois biomas estiveram conectados, ou se as similaridades observadas entre os Brejos e estas florestas são resultado de eventos de dispersão. Nos últimos anos vários estudos tem mostrado a importância de se integrar informação filogenética em programas de conservação. Por exemplo, a combinação de filogenias datadas com modelos de distribuição dos organismos permitem compreender os efeitos de mudanças climáticas passadas e utiliza-las para planejar a conservação diante das mudanças climáticas atuais e futuras. Estudos de filogenética molecular e modelagem de nicho, tem mostrado que diferentes espécies de aves respondem de forma distinta frente a alterações climáticas. As informações de como as espécies reagiram no passado frente à alterações climáticas intensas podem ser usadas para estudar o grau de suscetibilidade e resposta da biota à mudanças climáticas atuais e do futuro. O entendimento das inúmeras variáveis determinantes das resposta dos organismos frente à alterações climáticas tem uma importância fundamental no contexto do aquecimento global já verificado e previsto para várias regiões do planeta. Estas informações são imprescindíveis para o desenvolvimento de políticas públicas que atenuem os efeitos destas mudanças sobre a biodiversidade. Esta proposta tem como objetivo principal fazer uma análise abrangente estudando a relação histórica entre as áreas de Brejo de Altitude, a Amazônia e a Mata Atlântica e relaciona-la a eventos geológicos e/ou de mudanças na paisagem. Desta forma pretende-se levantar hipóteses mais robustas a respeito da origem da avifauna dos Brejos, bem como os efeitos das mudanças climáticas passadas na conexão das grandes áreas de florestas úmidas da Região Neotropical. (AU)