Resumo
O coronavírus SARS-COV-2 resultou em infecção de milhões de pessoas no mundo e milhares de mortes. O Brasil é o segundo país com maior número de casos e o Estado de São Paulo o mais afetado. Além do número de mortos, muitos pacientes tiveram um quadro mais grave com necessidade de suplementação contínua de oxigênio e até uso de ventilação mecânica. Nestes casos, a infecção por SARS-COV-2 se caracteriza por ter um acometimento sistêmico e uma internação prolongada. Em pandemias por outros vírus respiratórios do passado (como Influenza H1N1, SARS-COV-1 e MERS), o principal acometimento também se caracterizava por insuficiência respiratória e acometimento sistêmico. Nestes casos, os pacientes sobreviventes apresentaram sequelas importantes e por longo período, chegando a até 1 ano. Na parte respiratória, muitos tiveram prejuízo na função pulmonar e um processo cicatricial fibrosante, com importante prejuízo na troca gasosa. A capacidade de exercício também foi reduzida em muitos casos. E por fim, a qualidade de vida reportada era claramente reduzida. Portanto, fica claro que o risco de vida e o acometimento do estado de saúde do paciente não se restringem somente ao momento da internação, mas podem sim por vários meses após a alta hospitalar. A SARS-COV-2 está se mostrando com internações mais prolongadas, uma gravidade acentuada de insuficiência respiratória e mais complicações de outros órgãos (principalmente cardiovascular e hematológica). Como consequência, é lógico antever que seus pacientes estarão sob maior risco justamente de apresentar estes comprometimentos sequelares. Até o momento, não há ainda dados na literatura científica que descreva os tipos de acometimento e seus prejuízos. O presente estudo tem como objetivo o seguimento prospectivo de pacientes que estiveram internados por SARS-COV-2 com acometimento moderado à grave, definidos pela dependência de oxigênio e extensão de acometimento na tomografia pulmonar. Serão seguidos 200 pacientes em 4 importantes centros médicos e científicos do estado de São Paulo, por um período de 12 meses pós alta hospitalar. Os testes compreendem a função respiratória, a capacidade de exercício com troca gasosa ao esforço, questionários sobre qualidade de vida, força muscular periférica e composição corporal. Acreditamos que muitos pacientes apresentarão prejuízo em vários destas avaliações. Com isso, poderemos identificar a intensidade destes prejuízos e caracterizar os indivíduos de maior risco para sequelas da infecção da SARS-COV-2. Deste modo, poderemos já desenhar estratégias para identificação destes pacientes sob maior risco e, eventualmente, discutir possíveis intervenções terapêuticas, como, por exemplo, uma reabilitação cardiopulmonar mais precoce. (AU)
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