Resumo
A infecção pelo HIV/aids no Brasil apresenta-se como uma epidemia concentrada. Nas chamadas populações-chave, como homens que fazem sexo com outros homens, trabalhadoras do sexo e usuários de drogas, a prevalência dessa retrovirose é superior a 5%, enquanto na população geral esta é inferior a 1%. Porém, em determinados subgrupos populacionais, considerados como populações ponte, uma vez que se relacionam com as populações de maior prevalência, esse coeficiente é desconhecido. Inserem-se nesse grupo as populações de difícil acesso como os trabalhadores dos garimpos, já que apresentam vulnerabilidades específicas ainda pouco conhecidas que podem aumentar o risco de aquisição e progressão da infecção por HIV e outras IST. Estudos de vigilância epidemiológica de segunda geração, baseados na associação de inquéritos quantitativos com análises qualitativas, são úteis para avaliar as características subjacentes à dinâmica de transmissão dessas infecções e estimar a prevalência tais agravos em populações de difícil acesso. Este estudo tem como objetivos estimar a prevalência da infecção pelo HIV, sífilis e hepatites B e C, bem como de fatores de risco para doenças metabólicas, em áreas de garimpo da maior área de extração aurífera do território brasileiro e identificar as vulnerabilidades associadas às IST nesse contexto. Adicionalmente, o estudo busca identificar os perfis de masculinidade que podem estar associados ao aumento das vulnerabilidades de aquisição e progressão da infecção por HIV. A pesquisa, orientada por métodos mistos, será realizada na região Sudoeste do Pará. Será inicialmente realizada pesquisa formativa qualititativa, com uso de triangulação de técnicas de grupos focais, entrevistas em profundidade e observação participante e, posteriormente, inquérito quantitativo empregando-se amostragem pelo método Respondent Driven Sampling, em que os sujeitos participantes serão submetidos à testagem sorológica para HIV, Sífilis, hepatites B e C e responderão questionário com informações sociodemográficas, comportamentais, relacionadas às crenças, atitudes e práticas associadas à exposição ao HIV e às IST no ambiente em que vivem. Espera-se com o estudo estimar a prevalência do HIV e outras IST nessa população e identificar comportamentos, práticas e perfis de masculinidade que podem estar associados à maior vulnerabilidade individual, social e programática para aquisição e progressão da infecção pelo HIV/aids nesse grupo populacional de difícil acesso. (AU)
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