| Processo: | 25/16017-7 |
| Modalidade de apoio: | Auxílio à Pesquisa - Regular |
| Data de Início da vigência: | 01 de fevereiro de 2026 |
| Data de Término da vigência: | 31 de julho de 2028 |
| Área do conhecimento: | Ciências Sociais Aplicadas - Demografia |
| Pesquisador responsável: | Sandra Mara Garcia |
| Beneficiário: | Sandra Mara Garcia |
| Instituição Sede: | Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). São Paulo , SP, Brasil |
| Município da Instituição Sede: | São Paulo |
| Pesquisadores associados: | Jaciane Pimentel Milanezi Reinehr |
| Assunto(s): | Congelamento Saúde reprodutiva da mulher |
| Palavra(s)-Chave do Pesquisador: | acesso a serviços de reprodução assistida | Adiamento da reprodução e Conhecimento sobre fertilidade feminina | Aspectos socioeconomicos e culturais do adiamento da reprodução | Congelamento | conhecimento e intenção de uso | criopreservação de ovulos | Intenções reprodutivas entre mulheres sem filhos | Preservação da Fertilidade Feminina e intenção reprodutiva | Saúde reprodutiva feminina |
Resumo
Este projeto de pesquisa busca compreender como mulheres sem filhos, com idades entre 25 e 45 anos, residentes na cidade de São Paulo e que nunca recorreram a tecnologias reprodutivas, se relacionam com a possibilidade da maternidade e com as tecnologias biomédicas associadas à reprodução. O estudo investiga como essas decisões e posicionamentos são vividos, interpretados e representados, explorando motivações, dilemas e tensões, bem como conhecimentos e percepções sobre a capacidade reprodutiva feminina e as possibilidades de intervenção biomédica. A criopreservação de oócitos é tratada como caso emblemático, por constituir estratégia emergente de gestão do tempo reprodutivo. O objetivo central é analisar como essas mulheres constroem sentidos sobre o tempo reprodutivo e sua relação com a maternidade - desejada, negada ou adiada - em um contexto de profundas transformações sociais.A pesquisa insere-se em um cenário de queda sustentada da fecundidade, mudanças nas normas de gênero, reconfiguração das dinâmicas familiares, avanços nas tecnologias biomédicas e novas exigências nas trajetórias educacionais e profissionais. Esse contexto inclui, entre outros fatores, demandas crescentes por qualificação e autonomia econômica. Parte-se do pressuposto de que a relação com a maternidade não se reduz a uma escolha individual e autônoma, mas constitui um processo socialmente situado, influenciado por normas culturais, condicionantes estruturais e valores simbólicos - um campo em que corpo biológico, desejos pessoais, promessas tecnológicas e expectativas sociais vinculadas à reprodução se entrelaçam de forma complexa.A abordagem metodológica será qualitativa, exploratória e interpretativa, articulando quatro frentes analíticas: (1) realização de 36 a 48 entrevistas em profundidade com mulheres, distribuídas em dois grupos etários (25-35 e 36-45 anos); (2) análise de documentos normativos e institucionais sobre reprodução assistida; (3) exame da comunicação digital de clínicas especializadas; e (4) análise de discursos sobre fertilidade e tecnologias reprodutivas em redes sociais. Todas as frentes compartilham uma orientação interpretativa, fundamentada nas categorias de sentido, norma e performance. O uso do software Atlas.ti permitirá codificar, organizar e integrar os dados coletados, favorecendo a triangulação entre diferentes fontes empíricas e a construção de categorias analíticas transversais.Ao integrar experiências subjetivas, discursos institucionais e disputas simbólicas em torno do tempo reprodutivo e das tecnologias biomédicas, o projeto pretende oferecer uma compreensão situada e multifacetada das dinâmicas contemporâneas da reprodução. A proposta se insere nos debates interdisciplinares das ciências sociais - em diálogo com a antropologia, sociologia, demografia e estudos sobre políticas públicas em saúde reprodutiva -, fornecendo subsídios teóricos e empíricos para uma análise crítica das desigualdades, desafios e transformações que moldam os itinerários reprodutivos de mulheres em contextos urbanos contemporâneos. (AU)
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