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Caracterização da gênese dos marunditos e das formações ferríferas do tipo algoma na seqüência meta-vulcanossedimentar do grupo serra do itaberaba (sp): implicações para metalogênese de metais preciosos e de base em sistemas hidrotermais mesoproterozóicos

Processo: 07/00405-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de junho de 2008 - 30 de novembro de 2010
Área do conhecimento:Ciências Exatas e da Terra - Geociências - Geologia
Pesquisador responsável:Annabel Pérez Aguilar
Beneficiário:Annabel Pérez Aguilar
Instituição-sede: Instituto Geológico. Secretaria do Meio Ambiente (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Metalogenia  Alteração hidrotermal 

Resumo

A seqüência meta-vulcanossedimentar mesoproterozóica do Grupo Serra do Itaberaba está localizada no segmento central da Faixa Ribeira no Sudeste do Brasil, estando parcialmente recoberto pelo predominantemente meta-sedimentar Grupo São Roque do Neoproterozóico (Almeida et al., 1973; Juliani & Beljavskis, 1995; Hackspacher, 1999; Juliani et al., 2000). O Grupo Serra do Itaberaba foi depositado inicialmente em uma bacia oceânica com presença de metabasitos de filiação N-MORB, a qual posteriormente evoluiu para uma bacia de retro-arco (Juliani, 1993). Neste ambiente de retro-arco foram geradas pequenas intrusões de composição intermediária, associadas às quais se desenvolveram paleo-sistemas hidrotermais mesoproterozóicos que foram responsáveis pela presença, pré-eventos metamórficos, de zonas de alteração clorítica (Pérez-Aguilar et al., 2005) semelhantes àquelas presentes nos depósitos de metais de base do tipo Kuroko (Franklin, 1993; Ohmoto, 1996) e de mineralizações de ouro (Juliani, 1993; Beljavskis et al., 1999; Garda et al., 2002). Posteriormente à atuação dos eventos hidrotermais, as rochas do Grupo Serra do Itaberaba foram afetadas por dois eventos metamórficos de grau médio (Juliani, 1993), sendo os produtos metamórficos das zonas de alteração clorítica rochas que caracteristicamente possuem anfibólio(s) magnesianos(s) e clorita magnesiana (Pérez-Aguilar et al., 2005).As rochas alumínicas ricas em coríndon (marunditos) presentes neste grupo são de ocorrência relativamente rara em terrenos metamórficos pré-cambrianos. Entetanto, além das três ocorrências de rochas hiperaluminosas conhecidas no Grupo Serra do Itaberaba nas regiões de Mairiporã e de Santa Isabel (Lefevre, 1958; Coutinho et al., 1982; Juliani et al., 1986; Barbour, 1987; Juliani et al., 1994), recentemente foi descoberta uma nova ocorrência na região de Guarulhos (Juliani, comunicação verbal) Estas rochas são compostas essencialmente por margarita, coríndon e rutilo, sendo muito semelhantes aos marunditos de minas de esmeril da África do Sul descritos por Hall em 1920. Juliani et al. (1994) propõem para a gênese dos marunditos das regiões de Mairiporã e Santa Isabel a sobreposição de dois processos geológicos. Um primeiro evento foi responsável pela geração de zonas de alteração argílica e argílica avançada. Posteriormente houve um retrabalhamento destas argilas em condutos hidrotermais ou bacias salinas associadas às estruturas vulcânicas. Na seqüência, ao metamorfismo de grau médio, foram geradas as rochas com coríndon, margarita e rutilos essenciais. Geneticamente associadas aos paleo-sistemas hidrotermais do Grupo Serra do Itaberaba e localizadas estratigraficamente acima das zonas de alteração clorítica de argílicas podem ser encontradas também formações ferríferas do tipo Algoma. Estas formações ferríferas foram subdivididas em duas unidades de mapeamento, denominadas de tipos simples e complexo. A primeira é formada essencialmente por camadas de fácies óxido e/ou metachert ferruginoso, e a segunda, por uma associação de litotipos, incluindo formações ferríferas da fácies óxido e silicato, metavulcanoclásticas, metassedimentos manganesíferos e grafitosos e turmalinitos (Juliani, 1993). Balanços de Massa sugerem que Fe lixiviado de zonas de alteração clorítica contribuíram para a gênese destes litotipos (Pérez-Aguilar 1996; Pérez-Aguilar & Juliani, 2005). A caracterização da gênese dos marunditos e das formações da seqüência meta-vulcanossedimentar do Grupo Serra do Itaberaba, através de estudos químicos e de isótopos estáveis, possui implicações no entendimento da metalogenênese de metais preciosos e de base em sistemas hidrotermais mesoproterozóicos do tipo Kuroko, aos quais associam-se processos de alteração argílica e argílica avançada (alteração high sulfidation) que ocorreram em fundo oceânico. (AU)