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A teoria semiótica como epistemologia imanente. Uma terceira via do conhecimento.

Processo:16/10073-3
Modalidade de apoio:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no exterior
Data de Início da vigência: 01 de outubro de 2016
Data de Término da vigência: 30 de setembro de 2017
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Teoria e Análise Lingüística
Pesquisador responsável:Waldir Beividas
Beneficiário:Waldir Beividas
Instituição Sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Município da Instituição Sede:São Paulo
Assunto(s):Epistemologia  Imanência  Semiologia  Semiótica  Publicações de divulgação científica  Livros 
Palavra(s)-Chave do Pesquisador:Epistemologia | Imanência | semiocepção | Semiologia | semiótica | signo arbitrário | Semiótica

Resumo

Em tese de livre-docência na USP - "A Teoria semiótica como epistemologia imanente. Uma terceira via do conhecimento" - defendi duas hipóteses: (i) a Semiologia de Saussure, fundada no princípio da arbitrariedade do signo se põe como verdadeira epistemologia do conhecimento. O ato semiológico de linguagem impõe ao sujeito, pelas categorias desta, uma apreensão do mundo - via estratégias discursivas de veridicção, de ilusão referencial, de efeito de realidade e de verdade - o modo como vai peremptoriamente criar o mundo da fenomenologia humana; (ii) derivado do ato semiológico, propus o conceito inédito de semiocepção como nomeação desse ato de apreensão e de construção do mundo humano. Sabemos que nas pesquisas atuais, é o conceito de percepção que vem sendo mais utilizado para explicar a emergência do sentido. Elaborado milenarmente pelas antigas filosofias, vem sendo continuamente atualizado pelas psicologias (experimentais, comportamentais, Gestalt) e, mais ainda, pela filosofia fenomenológica de E. Husserl e M. Merleau-Ponty. A percepção foi também baliza para a proposição, pela neurobiologia de F. Varela e H. R. Maturana, do conceito de enação. Vem sendo também referenciada nas pesquisas das neurociências em geral que têm nas operações neuronais o comando central de nossa apreensão do mundo, tarefa que caberia bem nomear de neurocepção. Ora, diante desses estudos e proposições, cabe verificar em que medida o conceito de semiocepção pode alimentar o debate sobre a emergência do sentido à escala da fenomenologia humana.Sua novidade teórica e potencialidade heurística está em que (i) pode-se evitar o idealismo filosófico, que deposita nas "faculdades" do espírito - nas astúcias da Razão - o poder de gestão da intelecção do mundo; (ii) podem-se contornar as dificuldades do naturalismo realista que entende todo o poder da percepção natural dos seres (animais ou humanos) como atributos, equipagens, propriedades, "morfogenéticas" ou "epigenéticas" da matéria carnal dos corpos, como dom por Dama Natureza, espécie de "criacionismo" recôndito, e inconfessado pela maioria das ciências naturalistas, em que pesem os nomes e expoentes dessas ciências, que gozam de imenso prestígio no mundo científico; (iii) tem chances de contornar os "saltos mágicos" que se dão nas "passagens de nível": do nível inerte da matéria ao nível vivo dos organismos, dos níveis protomórficos dos animais protozoários aos níveis mais complexos do sistema nervoso central dos animais; destes níveis à complexidade da mente humana; das transduções operadas entre os registros óticos das frequências de ondas operados pelos olhos ao registro semântico de sua resolução nas "cores" que a linguagem impõe aos sujeitos falantes (para dar exemplo de um dos sentidos humanos de captação exógena).O conceito de semiocepção procura evitar as dificuldades da transcendentalidade filosófica do espírito do sujeito, bem como a hipóstase das "propriedades" naturais prévias das pesquisas naturalistas, de vez que se funda na objetividade dos discursos, nas astúcias da enunciação, via operação semiológica das linguagens, na tarefa de apreensão e de construção do mundo humano. Em suma, a semiocepção é lançada ao debate frente ao conceito de percepção, àquele de enação, e ao de neurocepção que delega aos neurônios a tarefa de regência do funcionamento de apreensão do mundo pelo homem.As pesquisas serão efetuadas na Universidade de Bolonha sob a supervisão de Francesco Marsciani - cuja tese de doutoramento de Estado, recentemente publicada (2012) se voltou à análise da semiótica greimasiana frente à filosofia fenomenológica de Husserl e Merleau-Ponty - para avançar a primeira parte da tarefa: colocar frente a frente o conceito husserliano e merleaupontiano de percepção com o de semiocepção para verificar em que medida a teoria semiótica poderá ajustar suas conceptualizações futuras no que tange ao (difícil) problema da emergência do sentido humano do mundo. (AU)

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