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Uma ciência sobre "coisa" alguma (a ser traduzido com o título: "functional relations, behavior and culture")

Processo: 17/09522-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no exterior
Vigência: 01 de setembro de 2017 - 31 de agosto de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia - Psicologia Experimental
Pesquisador responsável:Kester Carrara
Beneficiário:Kester Carrara
Instituição-sede: Faculdade de Ciências (FC). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Bauru. Bauru , SP, Brasil
Assunto(s):Análise do comportamento  Cultura  Behaviorismo  Publicações de divulgação científica  Livros 

Resumo

B. F. Skinner criou o paradigma da contingência de três termos para aplicação em quaisquer situações onde se identifiquem relações entre comportamento e ambiente. Essa proposta inclui a análise de situações sociais complexas entre indivíduos nas quais o entrelaçamento de comportamentos é condição indispensável. Mais tarde, por entender que as práticas culturais se situam em um nível de análise "supraorganísmico", S. Glenn defende a necessidade de um novo paradigma para análise de práticas culturais, composto de metacontingência, produto agregado, contingências comportamentais entrelaçadas e ambiente selecionador, entre outros conceitos. Uma Ciência sobre "coisa" alguma constitui um ensaio teórico que atualiza a discussão acadêmica sobre qual é o melhor paradigma ou a mais adequada unidade de análise (contingência ou metacontingência) para descrever e explicar o fenômeno social das práticas culturais, situadas por Skinner no terceiro nível de variação e seleção. O livro busca cumprir essa função questionando a real necessidade de uma nova unidade de análise. Examina, particularmente, a polêmica ideia de que seria o grupo a instância em que se dá o processo de seleção pelas consequências, em contraposição ao argumento contrário, de que, em última análise, é sempre o indivíduo que se comporta. Os defensores do primeiro argumento têm contribuído para o avanço da Análise Comportamental da Cultura sob a ótica da filosofia behaviorista radical mediante a realização de "análogos experimentais", que consistem em simulação de situações que examinam particularmente o entrelaçamento como aquilo que é selecionado. Os defensores do segundo argumento consideram suficiente a lógica selecionista e a unidade de análise skinneriana da contingência de três termos, mantendo a experimentação direta sobre os efeitos de consequências sobre comportamentos individuais como o foco de análise das relações sociais complexas. Neste caso, o que é selecionado não são ações do grupo, mas dos indivíduos quando reunidos em situação de grupo para a constituição de uma prática comportamental concatenada, articulada, entrelaçada cuja configuração (e apenas se tal configuração ocorre) é a condição para gerar consequências compartilháveis entre os membros do grupo. O que se busca mostrar no livro é o fato, reiterado por Skinner e vários colaboradores científicos, de que o grupo, enquanto tal, não se comporta, não respira, nem fala, nem se alimenta, nem constrói carros em uma linha de montagem. Quem o faz são os indivíduos em situação de grupo. Dado esse cenário, Uma Ciência sobre "coisa" alguma avança sua análise e discussão para outras questões, sendo estas mais diretamente relacionadas ao próprio desenvolvimento filosófico e epistemológico do Behaviorismo Radical e da Análise do Comportamento. Ao fazer essa incursão teórica, o livro recupera em detalhes a influência de Mach sobre Skinner, particularmente centrando atenção no consagrado argumento machiano de que descrever é explicar e explorando analiticamente, ao contrário de uma suposta adesão skinneriana aos argumentos do positivismo lógico do Círculo de Viena (uma vez que dele participava Mach), sua rejeição a grande parte dos postulados desse famoso manifesto. Caminhando nessa direção, este livro enseja ao leitor a possibilidade de verticalizar suas reflexões acerca de uma postura explicativa dos fenômenos que estuda baseada no argumento e na lógica das relações funcionais, em contraposição à tradição explicativa de tais fenômenos apoiada na suposição de constructos hipotéticos fundamentados por estruturas conceituais explicativas (mapas cognitivos, mecanismos de constituição da personalidade, drives, traços e forças motivacionais preconcebidas). O livro, que é dedicado a "argonautas interessados no planejamento de contingências", propõe metafórica viagem entremeada por conceitos e reflexões sobre as contribuições da Análise Comportamental da Cultura para uma sociedade justa e sustentável. (AU)