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A gramática filosófica de conceitos educacionais: uma abordagem wittgensteiniana

Processo: 16/01909-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 01 de maio de 2016
Vigência (Término): 31 de outubro de 2016
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Educação - Fundamentos da Educação
Pesquisador responsável:Cristiane Maria Cornelia Gottschalk
Beneficiário:Cristiane Maria Cornelia Gottschalk
Anfitrião: António José Duque da Silva Marques
Instituição-sede: Faculdade de Educação (FE). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : Universidade Nova de Lisboa, Portugal  
Assunto(s):Filosofia da educação   Jogos educativos   Ensino e aprendizagem   Política educacional

Resumo

Neste projeto, recorrerei a parte de minhas reflexões sobre conceitos fundamentais do campo educacional, sob uma perspectiva wittgensteiniana, construídas ao longo de minha pesquisa desenvolvida na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, que fornecerão subsídios iniciais para um livro. Pretendo desenvolver mais profundamente as questões investigadas até agora, como por exemplo, a conexão entre ensino e significado, ensino tácito e aprendizagem, currículo e avaliação escolar, métodos e conhecimento, com o objetivo de refletir sobre as políticas educacionais atuais no Brasil e em outras partes do mundo, em que se está adotando propostas de mudanças curriculares e formas de avaliação com base na pedagogia das competências. Argumentarei que esta pedagogia se utiliza de uma concepção mentalista do conhecimento para fundamentar políticas e práticas educacionais, levando a confusões conceituais e mal-entendidos nas práticas escolares. Por um lado, de acordo com o filósofo da educação Paul Standish, a maioria dos modelos teóricos utilizados nas políticas educacionais é oriunda da psicologia, que, mesmo tendo alterado substancialmente seus aparatos teóricos como também suas práticas ao longo das últimas décadas, deixou atrás de si algumas de suas crenças iniciais, o que ele denomina "efeitos-rastro" (trail-effects) no imaginário do senso comum, agindo sub-repticiamente na base da cultura de auditoria que vem se instaurando no campo da educação. Por outro lado, um dos referenciais teóricos para a compreensão dos conceitos psicológicos foi desenvolvido substancialmente pelo filósofo António Marques, que estudou a relação entre linguagem e da mente sob o ponto de vista de Wittgenstein. Pretendo partir destes escritos tendo em vista a elucidação de questões educacionais que se originam de confusões conceituais, as quais conduzem aos atuais pressupostos psicológicos característicos da cultura de auditoria. Neste sentido, um dos meus objetivos será o de descrever alguns processos de aprendizagem e a aquisição correlativa de sentidos, recorrendo a uma nova teoria do significado inspirada nas ideias de Wittgenstein, denominada de "Epistemologia do Uso", que nos permite explicitar a inserção de tais processos em jogos de linguagem, bem como a mediação necessária para a formação de conceitos. Esta nova epistemologia também mostra a potencialidade do "novo método" de Wittgenstein, ou seja, a terapia filosófica, que tem como finalidade esclarecer confusões filosóficas. Sua terapia fornece instrumentos bastante eficazes para relativizar alguns dos pressupostos desta cultura de auditoria, uma vez que possibilita a descrição da gramática de conceitos psicológicos tais como o pensamento, compreensão, raciocínio, entre outros, e o estabelecimento de conexões destes com os conceitos de "ensino", "aprendizagem", "ter um método" e "seguir uma regra". Como resultado desta terapia no campo da educação, pretende-se elucidar as seguintes questões filosóficas: quais são as condições para a transmissão de significados? Em que sentido os diferentes tipos de treinamento (incluindo o termo Abrichtung empregado por Wittgenstein) são componentes fundamentais na aprendizagem? Como sei que o que foi ensinado é o mesmo que o que foi aprendido? Que papel desempenha o ensino tácito no processo de aprendizagem? Quais são as relações entre método e aquisição de significado? Qual é a relevância da distinção feita por Wittgenstein entre proposições gramaticais e empíricas para as metodologias de ensino? Enfim, o esclarecimento destas questões aponta para uma nova pedagogia? (AU)

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