| Processo: | 25/11771-5 |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Iniciação Científica |
| Data de Início da vigência: | 01 de novembro de 2025 |
| Data de Término da vigência: | 31 de outubro de 2026 |
| Área de conhecimento: | Ciências Humanas - Psicologia - Tratamento e Prevenção Psicológica |
| Pesquisador responsável: | Gustavo Henrique Dionisio |
| Beneficiário: | Ana Carolina Marques dos Santos |
| Instituição Sede: | Faculdade de Ciências e Letras (FCL-ASSIS). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Assis. Assis , SP, Brasil |
| Assunto(s): | Artes Luto Melancolia Psicanálise Subjetividade Psicoterapia psicanalítica |
| Palavra(s)-Chave do Pesquisador: | Arte | Elaboração Psíquica Perda | Luto | melancolia | Psicanálise | subjetividade | Psicoterapia Psicanalítica |
Resumo Este projeto propõe uma abordagem psicanalítica implicada do documentário Elena (2012), de Petra Costa, com o objetivo de investigar como a linguagem cinematográfica pode operar como dispositivo simbólico na elaboração do luto. Partindo do texto freudiano Luto e Melancolia (1917), articula-se a distinção entre esses dois modos psíquicos de vivenciar a perda, analisando-se de que forma o filme - ao mobilizar recursos estéticos como a montagem fragmentada, a voz em off, os silêncios e os arquivos pessoais - transforma a ausência de Elena em imagem e narrativa simbólica. A hipótese central sustenta que o filme Elena se configura como uma forma de "escrita de si", em que a diretora reinscreve afetivamente a perda, reorganiza sua subjetividade e compartilha, com o espectador, uma experiência de dor profundamente singular.A pesquisa parte da constatação de que o luto, quando não simbolizado, pode se estagnar e produzir consequências psíquicas duradouras, aproximando-se da melancolia. No caso da diretora, a morte precoce e silenciosa da irmã, por suicídio, e a ausência de espaços de escuta e elaboração dificultaram o desligamento libidinal necessário ao processo de luto, gerando um prolongado estado de sofrimento e fusão identitária. Anos depois, a realização do documentário emerge como tentativa de elaboração dessa dor. A construção estética da narrativa se apresenta como forma de rememoração (De Matos & Gusmão, 2021), permitindo que afetos, memórias e silêncios sejam transformados em linguagem audiovisual, criando sentido para o indizível.A abordagem metodológica adotada é qualitativa, de natureza interpretativa, com base na teoria psicanalítica freudiana e nos estudos contemporâneos sobre arte, subjetividade e cinema autobiográfico. A análise será conduzida em quatro etapas principais: mapeamento e contextualização da obra; leitura fílmica dos elementos formais e simbólicos; interpretação psicanalítica do material; e reflexão sobre sua função simbólica na elaboração do luto. Além de Freud (1917), dialoga-se com autores como Frayze-Pereira (2022), Dionisio (2014), Petrosino e Prudente (2024) e Fukumitsu (2013), que contribuem para pensar os atravessamentos entre arte, dor, simbolização e saúde psíquica.A relevância da pesquisa se inscreve tanto no campo acadêmico quanto no social. Do ponto de vista acadêmico, a proposta contribui para o debate interdisciplinar entre psicanálise, arte e cinema, ampliando o entendimento sobre os modos não clínicos de elaboração do luto. Socialmente, o estudo evidencia o papel da criação artística como ferramenta de reorganização subjetiva e de partilha simbólica do sofrimento. Elena, nesse sentido, não é apenas o relato de uma dor pessoal, mas um gesto de resistência ao silenciamento e de reconstrução de si mesma por meio da linguagem cinematográfica. Ao reinscrever a ausência, o documentário permite à diretora - e ao espectador - acessar formas sensíveis de simbolizar a perda, promovendo uma travessia psíquica e estética da dor. | |
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