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Padronização dos extratos polares das partes aéreas de Actinocephalus divaricatus (Körn.) Sano (Eriocaulaceae)

Texto completo
Autor(es):
Ana Caroline Zanatta Silva
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Imprenta: Araraquara. 2016-08-31.
Instituição: Universidade Estadual Paulista (Unesp). Instituto de Química. Araraquara
Data de defesa:
Orientador: Lourdes Campaner dos Santos
Resumo

Este trabalho descreve a caracterização química dos extratos metanólicos de capítulos, escapos e folhas de Actinocephalus divaricatus, descrito pela primeira vez na literatura. Primeiramente, as amostras foram analisadas por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) acoplada com detector de arranjo de fotodiodos (PAD) e por espectrometria de massas em tandem acoplado a um orbitrap com interface de ionização por electrospray, usando um sistema LC para a separação cromatográfica dos metabólitos (HPLC-ESI-HRMS). Esta estratégia permitiu explorar e diferenciar os metabólitos secundários presentes, sendo identificados 31 compostos incluindo 12 flavonoides, 5 naftopiranonas e 14 saponinas. Esta análise diferencial das três partes da planta contribuirá com a discussão do gênero Actinocephalus, uma vez que os estudos na literatura são relatados apenas para Paepalanthus sect. Actinocephalus. A separação dos metabólitos presentes nos extratos metanólicos dos escapos e folhas foi realizada empregando técnicas cromatográficas, como Sephadex, MPLC, HPLC-PAD e HPLC-IR, em que foi possível obter treze compostos: três ácidos fenólicos, sete flavonoides, duas naftopiranonas e uma saponina. As estruturas de todos os compostos foram determinadas por análise dos dados obtidos por RMN mono e bidimensionais. A padronização dos extratos metanólicos foi realizada por meio da quantificação dos flavonoides e naftopiranonas por HPLC-PAD. A metodologia foi validada avaliando-se os parâmetros de seletividade, linearidade, limites de detecção e quantificação, exatidão e precisão. A seletividade foi confirmada por meio dos tempos de retenção e dos espectros de absorção no UV dos padrões de flavonoide e naftopiranona. Os métodos validados apresentaram alta seletividade e permitiram identificar derivados de quercetina e paepalantina glicosilados nos extratos, com limites de detecção (2,56 μg.mL-1) e quantificação (7,76 - 7,77 μg.mL-1) satisfatórios para as condições analisadas, e valores de precisão (0,0028 a 3,90%) e exatidão (83 a 119%) dentro dos limites recomendados pela ANVISA. Os valores encontrados para derivados de quercetina glicosilados foram de 9,64, 39,96, 123,81 mg.g-1 de extrato para capítulos, escapos e folhas, respectivamente. Derivados de paepalantina glicosilados foram quantificados apenas nos capítulos e folhas e apresentaram 39,51 e 5,99 mg.g-1 de extrato de capítulos e folhas, respectivamente. O teor de fenóis encontrados foi de 126,41 246,58 mg.g-1 e 512,24 mg.g-1 de extrato para os capítulos, escapos e folhas, respectivamente. A atividade antiradicalar utilizando DPPH indicou IC50 superior às concentrações de extratos utilizadas (250 µg.mL-1). Paralelamente foi avaliada a atividade antimicrobiana utilizando cepas de bactéria (Gram-positiva e Gram-negativa) e levedura, sendo que os extratos metanólicos de capítulos, escapos e folhas apresentaram fraca sensibilidade frente aos microrganismos testados. Os valores encontrados para a citotoxicidade dos extratos utilizando o método do MTT foram baixos, sendo o melhor resultado encontrado para o extrato metanólico dos capítulos (IC50 = 66,98 µg.mL-1) contra MCF7 (cancro da mama humana). Assim, o estudo químico realizado com a espécie A. divaricatus corrobora com dados da literatura que permitem afirmar que Actinocephalus é um novo gênero, diferenciado de Paepalanthus com a presença de saponinas nos escapos e folhas. (AU)