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Análise integrada de dendrocronologia, anatomia e isótopos estáveis de carbono de duas espécies de jatobá (Hymenaea, Leguminosae) para identificação de possíveis efeitos da elevação do CO2 atmosférico e mudanças climáticas

Texto completo
Autor(es):
Giuliano Maselli Locosselli
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Biociências (IBIOC/SB)
Data de defesa:
Membros da banca:
Gregório Cardoso Tápias Ceccantini; Marcos Silveira Buckeridge; Jochen Schongart
Orientador: Gregório Cardoso Tápias Ceccantini
Resumo

O desenvolvimento das atividades humanas está ocorrendo a um alto custo ambiental. A elevação das concentrações atmosféricas de CO2 e as mudanças no uso do solo estão desencadeando mudanças relevantes no clima global. O objetivo deste trabalho é determinar, por meio da largura dos anéis de crescimento, áreas de vasos e isótopos estáveis de carbono, como as espécies de jatobá: Hymenaea courbaril L. (de mata) e Hymenaea stigonocarpa Mart ex. Hayne (de cerrado) estão respondendo às mudanças do clima. Foram coletadas amostras do tronco principal de 12 indivíduos de H. stigonocarpa e 11 de H. courbaril. As amostras foram polidas e os anéis de crescimento foram identificados, datados e medidos. As cronologias foram construídas utilizando os programas COFECHA e ARSTAN. Com os anéis datados, foram medidas as áreas de vaso do lenho inicial de cada anel e também foram obtidas amostras de αcelulose dos anéis de crescimento para a análise de ∂13C e cálculo da eficiência intrínseca do uso da água (Wi). Os resultados mostram que, a largura dos anéis de H. courbaril sofre influencia positiva da precipitação, e negativa da temperatura, no final da estação de crescimento. Já as áreas de vaso são influenciadas positivamente pela precipitação do meio da estação de crescimento e negativamente pela temperatura da estação seca antes do início do crescimento. Para H. stigonocarpa, a largura do anel de crescimento sofre influência positiva da precipitação, e negativa da temperatura, durante a estação seca anterior ao início do crescimento. Já as áreas de vaso são influenciadas positivamente pela precipitação do início da estação seca anterior à estação de crescimento e negativamente pela temperatura no início do crescimento. Em relação ao ∂13C, as duas espécies mostraram uma influência do clima da estação de crescimento corrente e também da imediatamente anterior. Além disso, H. stigonocarpa possui uma tendência de elevação do Wi nas últimas cinco décadas que não foi encontrada em H. courbaril. Os resultados mostram que as espécies respondem a diferentes pressões ambientais, e isso levará a respostas diferentes em cenários de mudanças climáticas. Nesses cenários, as duas espécies podem ser prejudicadas, mas H. courbaril, possivelmente, sofrerá mais. Porém, existe outra pressão imediata sobre as espécies, que é o desmatamento. A análise das taxas de crescimento pode auxiliar as tomadas de decisão em projetos que envolvam supressão das matas e cerrados. Nesse contexto, H. stigonocarpa possui uma taxa de crescimento média 2.4x menor que a de H. courbaril, mostrando o maior tempo que essa espécie leva para atingir um tamanho maduro. (AU)