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Transição de modos de vida rurais na Amazônia brasileira: uma perspectiva longitudinal sobre diversificação da renda, atividades agrícolas e uso da terra entre pequenos produtores

Texto completo
Autor(es):
Gabriel Henrique Lui
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Piracicaba.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
Data de defesa:
Membros da banca:
Silvia Maria Guerra Molina; Cristina Adams; Maria Victoria Ramos Ballester; Thomas Ludewigs; Rodrigo Penna Firme Pedrosa
Orientador: Silvia Maria Guerra Molina
Resumo

A expansão da economia de mercado tem interferido nas motivações de produção e consumo, não só dos grandes produtores orientados para o mercado global, mas também dos pequenos produtores originalmente orientados para a subsistência e mercados locais. Como um dos resultados dessas mudanças, observa-se a retração da agricultura de pequena escala, com a diminuição da importância da renda agrícola e um aumento da importância da renda proveniente de outras fontes, como trabalhos em tempo parcial, prestação de serviços, empregos públicos e benefícios sociais. No Brasil, grandes programas de transferência condicionada de renda, como o Bolsa Família, e o acesso universalizado às aposentadorias e pensões rurais, que atendem milhões de pessoas, também têm colaborado de maneira significativa para a diversificação dos rendimentos rurais. Ao se deparar com novas fontes de renda que não requerem a mobilização de mão de obra, qual seria a postura das famílias? Haveria um movimento de reinvestimento da renda adicional nas atividades agrícolas? Ou esses rendimentos externos estariam contribuindo para afastar ainda mais as famílias da agricultura? Quais os resultados dessas decisões para o uso da terra? Diante dessas questões, quatro hipóteses foram estruturadas: (1) o aumento e a estabilidade da renda das famílias têm proporcionado um uso menos intensivo de recursos naturais locais para a subsistência; (2) tal contexto pode levar a uma maior taxa de conversão da floresta para outros propósitos, como consequência do investimento e do avanço de atividades comerciais e produtivas; (3) existe uma percepção de melhoria da qualidade de vida ligada à estabilização da renda e ao maior acesso a bens de consumo e serviços e (4) existe uma valoração positiva dos bens e serviços proporcionados pelos centros urbanos e isso tem influenciado as prioridades e perspectivas quanto ao uso da terra e a aplicação dos recursos. Para testar tais hipóteses, dois levantamentos de dados primários foram realizados na região de Santarém-PA, nos anos de 2003 (n=488) e 2011 (n=83), buscando informações demográficas, econômicas e espaciais nas mesmas propriedades nos dois períodos. Os dados foram coletados através de questionários e entrevistas semi-estruturadas. Foi realizada uma análise de mudança de uso da terra, com foco nas propriedades revisitadas, através de imagens de satélite (LANDSAT 5 TM) para os anos de 1997, 2001, 2005 e 2010. Os dados quantitativos foram analisados através de estatística descritiva, análises de correlação e testes de hipóteses. Os dados qualitativos foram analisados através da categorização do conteúdo dos discursos dos entrevistados. Os resultados apontaram transformações significativas entre os dois períodos, como a redução do tamanho médio das famílias (4,6 para 3,86), o crescimento real da renda (115,98%) e das despesas (171,30%) mensais, a diminuição da produção de culturas anuais, com destaque para o arroz (-81,55%), o feijão (-73,17%) e o milho (-63,35%), e a aceleração do desmatamento em grandes lotes, principalmente após a chegada dos produtores de soja. Os discursos dos entrevistados mostraram uma percepção geral de melhoria de qualidade de vida nos últimos anos, ainda que destacassem também uma falta de perspectiva em relação à manutenção da agricultura, evidenciando uma desconexão entre esses dois elementos. (AU)

Processo FAPESP: 09/53219-4 - Uso de recursos e transformação das paisagens por populações tradicionais do Baixo Amazonas (Pará)
Beneficiário:Gabriel Henrique Lui
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado