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A língua em além-mar : sentidos à deriva - o discurso da CPLP sobre língua portuguesa

Texto completo
Autor(es):
Luiza Katia Andrade Castello Branco
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Estudos da Linguagem
Data de defesa:
Membros da banca:
Cláudia Regina Castellanos Pfeiffer; Bethania Sampaio Correa Mariani; José Simão Silva Sobrinho; Mónica Zoppi Fontana
Orientador: Carolina Maria Rodríguez Zuccolillo
Resumo

Este trabalho objetiva compreender o funcionamento do discurso da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) sobre língua portuguesa, fundado a partir de um imaginário de homogeneidade linguística, que produz a evidência de que há "uma" e a mesma língua portuguesa falada nos seus oito países membros e de que todos os seus cidadãos falam essa mesma língua. Para observar e analisar o processo de produção desses efeitos de sentido, nosso corpus se constitui de materiais que tratam sobre língua(s) (em especial, as línguas portuguesas em espaços angolano, brasileiro, cabo-verdiano, guineense, moçambicano, português, santomense), e sobre multilinguismo, etnoculturalidade e políticas de línguas. Assim, além de estudos acadêmicos, recolhemos instrumentos normativos elaborados pela CPLP e pelos governos de seus países membros, pela UNESCO, pela Academia Africana de Línguas (ACALAN), tais como Atas, Recomendações, Declarações, Constituições, Acordos, Estatutos, Tratados, Protocolos, Convênios, dentre outros que, no decorrer da pesquisa, se mostraram pertinentes à análise. Este trabalho tem sua inscrição no domínio da História das Ideias Linguísticas (HIL), sob uma perspectiva materialista, configurada a partir dos dispositivos teórico e analítico da Análise de Discurso na linha dos estudos de Michel Pêcheux (França, 1966-1983) e de Eni Orlandi (Brasil, 1971-), que permite conjugar a ideologia, a história da sociedade com a história do conhecimento linguístico e a história da língua. Nessa perspectiva, descrevemos, interpretamos e compreendemos o modo complexo como a CPLP produziu e produz uma discursividade sobre língua portuguesa a partir da observação do funcionamento de noções como a de "lusofonia", e certas noções de "língua materna", "língua nacional", "língua oficial" e "política de línguas" articuladas a certas noções de "comunidade", "nação" e "Estado". Nessa discursividade, ganhou reflexão a questão da organização internacional que se produz na evidência de que é possível um espaço supranacional homogêneo. Nossa hipótese é a de que o gesto de formação de uma comunidade como a CPLP, tal como está concebida, faz silenciar sentidos como o da heterogeneidade própria à língua portuguesa, o da sua relação assimétrica com as outras línguas faladas nesses países, e o das diferentes historicidades determinantes da e determinadas pela relação sempre política entre sujeitos, línguas e espaços na disputa por significar. Nesse sentido, compreendemos, pelas análises, que os efeitos de sentido de língua portuguesa estarão em deriva e em devir quando colocados na relação de diferença, podendo significar e não significar língua nacional, língua materna e língua oficial, sendo sempre outras, as línguas portuguesas em espaço* (AU)

Processo FAPESP: 10/15878-3 - A língua em além-mar: sentidos à deriva - o discurso da CPLP sobre a língua portuguesa
Beneficiário:Luiza Katia Andrade Castello Branco
Modalidade de apoio: Bolsas no Brasil - Doutorado