Resumo
A caquexia do câncer é uma condição frequente entre os pacientes com câncer colorretal. A perda de peso involuntária e acentuada, associada às modificações na composição corporal marcadas pela perda de massa magra e modificações no tecido adiposo estão entre as principais características do processo de caquexia. De maneira intrigante, é observado para o mesmo tipo tumoral uma grande heterogeneidade na prevalência da caquexia e na extensão da caquexia nos pacientes. Especula-se que tais diferenças podem estar associadas a características genotípicas e fenotípicas do tumor e do indivíduo. Recentemente, a proteína GDF15 tem se destacado no cenário da caquexia por influenciar a ingestão alimentar, a homeostase energética e o controle do peso corporal. Portanto, ampliar o entendimento de como essas alterações influenciam na fisiopatologia da caquexia ainda é um desafio. Nosso grupo de pesquisa tem buscado entender como alterações na composição corporal impactam na sobrevida de pacientes com diferentes tipos de câncer. Recentemente, observamos que a alta radiodensidade do tecido adiposo se correlaciona com a maior captação de glicose deste tecido, com o aumento de citocinas séricas inflamatórias, e está associada a pior sobrevida em pacientes com mieloma múltiplo e câncer colorretal metastático. Interessante, a alta radiodensidade do tecido adiposo subcutâneo tem valor de HU semelhante ao tecido adiposo marrom, sugerindo que a radiodensidade do tecido adiposo seja um marcador precoce de caquexia, identificando a conversão do tecido adiposo branco a tecido adiposo "bege". Entretanto, valores altos de radiodensidade também podem estar demonstrando maior inflamação do tecido adiposo, maior infiltração de macrófagos ativados e consequente maior captação de glicose. Neste estudo objetivamos investigar o perfil genômico tumoral através da análise por nanostring, a composição corporal e a radiodensidade dos tecidos muscular e adiposo através da tomografia computadorizada, a captação de glicose do tecido adiposo subcutâneo e visceral mensurados por meio do Positron emission tomography/computed tomography with 18F-fluorodeoxyglucose (FDG-PET/CT), o perfil do tecido adiposo através do sequenciamento de RNA de célula única, a concentração sérica de GDF15 e os marcadores metabólicos e inflamatórios séricos e dos tecidos tumoral e adiposo de pacientes portadores de câncer colorretal atendidos no ambulatório de oncologia do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas. Assim, pretendemos ampliar o entendimento em relação as alterações no tecido adiposo do paciente com câncer e buscar uma ferramenta clínica que possa identificar precocemente a caquexia. (AU)
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