Resumo
A Radiação UltraVioleta (RUV) afeta diversos aspectos da vida no planeta. Ao mesmo tempo em que é necessária para síntese de moléculas importantes, como a vitamina D, é também nociva aos organismos, podendo levar ao envelhecimento precoce e ao câncer de pele. Protetores solares sintéticos artificiais evitam ou retardam esses efeitos, porem são tóxicos e têm potencial carcinogênico e neurotóxico em humanos. Além disso, acumulam-se no ecossistema aquático prejudicando o ambiente, como pelo branqueamento dos corais. Algas, cianobactérias e fungos produzem micosporinas, as quais são capazes de absorver a radiação ultravioleta dissipando-a em calor; portanto podem ser protetores solares sintéticos naturais, com baixa ou nenhuma toxicidade. As micosporinas de organismos aquáticos já vêm sendo incorporadas aos produtos que visam fornecer proteção solar. O Laboratório de Interações Microbianas da Unifesp identificou dois isolados de Papiliotrema laurentii, e um isolado de Naganishia friedmannii produtores de micosporinas. Anteriormente, estas espécies foram agrupadas no gênero Cryptococcus, cujas espécies C. neoformans e C. gattii, são patogênicas. Apesar disso, os nossos dados preliminares apontam que há baixo potencial patogênico em P. laurenttii e N. friedmannii. Ainda, as análises químicas mostraram a produção de uma série de micosporinas, dentre elas micosporina glutamil-glucosideo e glutamil-serinol, esta última produzida por C. neoformans. As micosporinas de leveduras foram pouco estudadas e o seu potencial como protetores solares ainda não foi avaliado. O objetivo geral desta proposta de trabalho é aumentar a coleção de leveduras produtoras de micosporinas, bem como ampliar o conhecimento sobre estas moléculas de P. laurenttii, N. friedmannii e C. neoformans, estudar as vias de biossíntese das mesmas, bem como avaliar o potencial de transferência destas vias para outros organismos modelos para fins de aplicação biotecnológica. Este projeto de pesquisa pretende agregar valor para as micosporinas de leveduras como um aditivo para protetores solares economicamente viáveis, mais sustentáveis e que não agridam a natureza. (AU)
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