Resumo
Biofármacos são medicamentos de origem biológica amplamente utilizados no tratamento de câncer, diabetes, doenças cardiovasculares, entre outras. No Brasil, existe grande carência na produção de biofármacos. De acordo com o Índex da Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica e de Insumos Farmacêuticos de 2016, cerca de 4% dos medicamentos adquiridos pelo ministério da saúde são biofármacos; porém, representam aproximadamente 51% dos gastos, provocando um déficit de 2 bilhões de reais na balança comercial do setor farmacêutico nacional. Dentre os biofármacos, grande destaque é dado à enzima Asparaginase (ASNase), amplamente utilizada no tratamento de cânceres do sistema linfático, em especial Leucemia Linfoide Aguda (LLA) desde a década de 70. Existem atualmente no mercado mundial três diferentes formulações de ASNase, produzida por Escherichia coli na forma nativa (EcA nativa) e conjugada com polietileno glicol (PEG-EcA) e produzida por Erwinia chrysanthemi (ErA). A administração de ASNase pode promover uma série de efeitos colaterais, incluindo respostas imunológicas e reações alérgicas que podem levar a choques anafiláticos. Dentre esses feitos, a produção de anticorpos anti-ASNase é diretamente associada ao decaimento da atividade antitumoral das ASNases, além disso, a atividade de proteases e peptidases pode levar a exposição adicional de epítopos, o que aumenta ainda mais a resposta imune. Nestes casos a intercambiabilidade de EcA por EcA peguilada ou ErA representa uma alternativa para esses casos, mas ainda ocorrem repostas adversas em muitos pacientes. Portanto a buscas de novas fontes de ASNase e novas variantes das enzimas já utilizadas como medicamentos é foco de inúmeras pesquisas em todo o mundo. Neste projeto PIPE fase 1 estamos propondo a peguilação da enzima EcAP40S/S206C, a qual possui resistência a degradação proteolítica, e foi obtida no âmbito do projeto Temático da FAPESP "Produção de L-asparaginase extracelular: da bioprospecção à engenharia de um biofármaco antileucêmico". Nossa prova de conceito será baseada no desenvolvimento de um processo eficiente de peguilação de EcAP40S/S206C. Para tanto serão realizados experimentos de peguilação de tióis e da região N-terminal, sendo selecionada assim a melhor estratégia de conjugação com PEG. Em seguida serão realizados ensaios cinéticos e de citotoxicidade para determinar o potencial de aplicação de PEG-EcAP40S/S206C em terapias. Acreditamos que a obtenção da enzima EcAP40S/S206C conjugada com PEG possui grande potencial para utilização como biofármaco, pois a resistência à proteólise somada a peguilação devem promover o aumento de sua meia vida da enzima na corrente sanguínea e diminuir a imunogenicidade. (AU)
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