| Processo: | 17/12126-0 |
| Modalidade de apoio: | Auxílio à Pesquisa - Regular |
| Data de Início da vigência: | 01 de setembro de 2017 |
| Data de Término da vigência: | 31 de março de 2020 |
| Área do conhecimento: | Ciências Humanas - Teologia - História da Teologia |
| Pesquisador responsável: | Paulo Augusto de Souza Nogueira |
| Beneficiário: | Paulo Augusto de Souza Nogueira |
| Instituição Sede: | Diretoria de Pós-Graduação e Pesquisa. Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). São Bernardo do Campo , SP, Brasil |
| Município da Instituição Sede: | São Bernardo do Campo |
| Assunto(s): | Religiões Cristianismo primitivo História do Mundo Antigo História social Império Romano Cultura popular Literatura Gêneros literários Magia |
| Palavra(s)-Chave do Pesquisador: | Cultura popular no mundo antigo | Gêneros literários narrativos | História social do Cristianismo Primitivo | Literatura do Cristianismo Primitivo | Magia no mundo antigo | Religião no Império Romano | História do cristianismo primitivo |
Resumo
A história do Império Romano apresenta uma dificuldade fundamental ao pesquisador. A maior parte das suas fontes disponíveis provém do estrato social circunscrito a não mais do que 1% da população, as elites do Roma. Por esse motivo prevalece na pesquisa o foco nos temas pautados por essas fontes e por esse estrato social. Dessa forma, a vida das classes baixas, dos outros 99%, tem sido narrada a partir da perspectiva dessas elites, quando não tem sido simplesmente desconsiderada. No entanto, a partir dos esforços historiográficos da Escola dos Anais, entre outros, houve uma mudança de perspectiva: passaram a ser considerados a vida privada e a história cultural na busca do quotidiano e das sensibilidades das pessoas comuns. O cristianismo se origina nas classes baixas no Império Romano, primeiro entre camponeses na província romana da Judeia, depois entre grupos subalternos nas cidades do Mediterrâneo, apresentando-se como religião de pobres, refletindo em sua identidade seu lugar na estratificação social do Império. Apesar do reconhecimento desse fato, a cultura específica dessa população - e sua relação com as formas do movimento religioso - ainda não foi objeto de suficiente consideração acadêmica. Há, sem dúvida, entre os historiadores das origens cristãs o olhar sobre esse grupo a partir de sua condição social, de suas críticas à ideologia de Roma ou de suas tendências de adaptação aos ideais das elites. Permaneceram desconsideradas, no entanto, as sensibilidades, as formas de percepção de mundo e as categorias culturais dos cristãos em sua condição de subalternos. A perspectiva aqui proposta se alia a esforços recentes da historiografia no estudo da cultura popular no Império Romano. Este projeto propõe a discussão e análise do cristianismo primitivo como forma de religiosidade das classes baixas do Império Romano a partir de um conjunto de hipóteses sobre o que é a cultura popular, na relação com práticas religiosas no mundo antigo. Para a execução do projeto propomos uma definição hipotética, de trabalho, de cultura popular no ambiente religioso do mundo antigo: Conjunto de práticas e representações de ordem religiosa de grupos subalternos da sociedade, por meio do qual eles administram tensões sociais (rivalidades, violência, assimetria social) e escassez de recursos para sua sobrevivência. Os textos, rituais, gestos etc. produzidos nesse âmbito são concretos, ou seja, voltados para certas funções práticas, e, ao mesmo tempo, estruturalmente complexos, isto é, dotados de força poética e polissemia. Essas práticas e representações são provenientes do mundo material desses grupos (mesmo que metaforicamente), no entanto, elas também podem proceder a adaptações de gêneros e temas da elite em sua própria perspectiva. No caso dessas adaptações, prevalece a recepção ativa de textos, seja em sua emulação, seja em sua inversão por meio de paródias, sátiras entre outros. Estudaremos as categorias da cultura popular em três eixos: a) as práticas mágicas, espaço do exercício da religião do povo por excelência, amplamente disseminado no cristianismo primitivo, b) os relatos sobre tensões domésticas em textos narrativos, nos quais as relações e tensões entre pessoas de diferentes grupos sociais são problematizadas, e, c) adaptação de núcleos narrativos originados do folclore, como as fábulas e os exempla (chreiai), onde encontramos a adaptação de temas narrativos e máximas morais da cultura popular. (AU)
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