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Arqueologia do colonialismo e da persistência: uma abordagem comparativa das práticas indígenas entre São Paulo (Brasil) e a Nova Inglaterra (Estados Unidos)

Processo: 21/09619-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de março de 2022
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2023
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Arqueologia - Arqueologia Histórica
Pesquisador responsável:Astolfo Gomes de Mello Araujo
Beneficiário:Marianne Sallum
Supervisor no Exterior: Stephen Walter Silliman
Instituição-sede: Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa: University of Massachusetts Boston (UMass Boston), Estados Unidos  
Vinculado à bolsa:19/17868-0 - Arqueologia do colonialismo e da persistência: uma abordagem comparativa das práticas indígenas entre São Paulo (Brasil) e a Nova Inglaterra (Estados Unidos), BP.PD
Assunto(s):Colonialismo   Identidade étnica   Povos indígenas   Indígenas   São Paulo

Resumo

A perspectiva da Arqueologia da Persistência tem sido um caminho para encontrar "inquebráveis trajetórias" históricas de populações indígenas, a partir de 2009. A arqueologia deveria participar do esforço em construção para conhecer melhor a história indígena no Brasil, tal como sugeriram John Monteiro e Manuela Carneiro da Cunha no final do século XX. Tal esforço precisa ser continuamente renovado, como mostram os notáveis avanços na historiografia, mas arqueologia ainda tem pouca produção publicada. A Arqueologia da Persistência é uma noção que estrutura este projeto, cujo objetivo é desenvolver uma pesquisa sobre a história indígena no sudeste de São Paulo, desde o período colonial até o presente. A ancoragem teórica será semelhante à utilizada na Nova Inglaterra, pois naquela área vem sendo desenvolvida de forma promissora, pois o fio condutor da persistência evidencia facetas da articulação de identidades, materialidades e conhecimentos, que não foram percebidas nas abordagens derivadas da ideia da aculturação e mistura cultural. Assim, o projeto busca um método para superar as narrativas de apagamento promovidas nas fontes coloniais e no racismo científico desde o século 19, centradas na ideia de extinção, branqueamento e autenticidade indígena, que serviram para borrar identidades, desconsiderar a agência das mulheres, liberar terras e justificar a desigualdade social. Ao contrastar perspectivas teóricas e histórias indígenas entre São Paulo e a Nova Inglaterra, será possível identificar semelhanças e diferenças nos processos em que as pessoas articularam continuamente estratégias para lidar com o colonialismo, geralmente atuando com atitude crítica, incorporando e transformando práticas culturais e materiais para persistir. Dois temas a desenvolver serão centrais na comparação entre São Paulo e a Nova Inglaterra: i) investigar as noções acadêmicas (p. ex. colonialismo, persistência e gênero) com as atuais perspectivas políticas e teóricas que a(o)s pensadora(e)s indígenas vem defendendo; ii) refletir sobre debate teórico contemporâneo a respeito de categorias analíticas (a ex. mestiçagem, hibridismo, sincretismo) para compreender seus alcances e limitações. Considerando que a etapa de São Paulo está concluída, a pesquisa sediada na UMass-Boston terá três objetivos: 1) revisar a bibliografia da arqueologia sobre os processos de colonialismo na Nova Inglaterra (Estados Unidos), para levantar a história do debate teórico; 2) analisar casos de trajetórias históricas, culturais e identitárias de comunidades indígenas da Nova Inglaterra, usando como fio condutor a interação entre pessoas e objetos, valorações, usos, reproduções, transformações e persistências, para definir referências para o caso de São Paulo; 3) levantar informações nas coleções indígenas de museus dos Estados Unidos, com o objetivo de compreender a trajetória dos objetos e como as narrativas dos museus refletem os processos de articulação indígena com as práticas e a cultura material do "outro" (europeia). Espera-se como resultado da pesquisa: 1) Contribuir no aperfeiçoamento do arcabouço epistemológico e elaborar resultados que agreguem novas perspectivas teóricas e metodológicas para tecer a história indígena de São Paulo, para reverter o apagamento construído na academia; 2) Contribuir para dar visibilidade às comunidades tradicionais de São Paulo, sobretudo das mulheres ceramistas; 3) Fortalecer o intercâmbio e a parceria internacional entre o laboratório Interdisciplinar de Pesquisas em Evolução, Cultura e Meio Ambiente da USP (LEVOC) e o Department of Anthropology, University of Massachusetts Boston (UMass-Boston). (AU)

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