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Avaliação da atividade antitumoral e anti-inflamatória da fração rica em alcaloides fenantroquinolizidínicos de Boehmeria caudata Sw.

Texto completo
Autor(es):
Paula Pereira de Paiva
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia
Data de defesa:
Resumo

Câncer é a segunda causa de morte no mundo, com um aumento progressivo no número de casos, deixando clara a necessidade de desenvolvimento de novos quimioterápicos mais eficientes e, sempre que possível, com menos efeitos colaterais. Os produtos naturais constituem uma rica fonte de novos quimioterápicos, principalmente pela possibilidade de ação sobre multialvos. Neste contexto, estudos preliminares de nosso grupo de pesquisa demonstraram que o extrato bruto etanólico (EBE) das folhas de Boehmeria caudata Sw. foi efetivo no teste de atividade antiproliferativa em cultura de células tumorais e não tumorais. Assim, o presente estudo teve por objetivo avaliar o potencial antitumoral e anti-inflamatóriodos da fração rica em alcaloides obtida de B. caudata através de experimentos in vitro e in vivo. Os resultados demonstraram que o potencial antiproliferativo de B. caudata pode ser atribuído a presença de alcaloides fenantroquinolizidínicos (FA). Dentre as linhagens avaliadas, uma das mais sensíveis foi a linhagem tumoral de pulmão (NCI-H460) com 0,17 µg mL-1 de inibição total de crescimento. Somado ao fato de que no Brasil, o câncer de pulmão é o segundo de maior incidência entre os homens e o quarto entre as mulheres, esta linhagem foi escolhida para as análises de mecanismo de ação. Assim, a FA promoveu parada no ciclo celular de NCI-H460, com aumento na subpopulação em fase G2/M, após 24 e 48 h de tratamento, promovendo também um leve aumento nas subpopulações de células com exposição de resíduos de fosfatidilserina sem perda de permeabilidade de membrana, após 24 h de tratamento e naquelas com exposição e perda de integridade de membrana, após 36 h de tratamento. Além disso, FA diminuiu a capacidade de recuperação e de replicação das células de NCI-H460, após a retirada do tratamento, reforçando o possível efeito de FA sobre o ciclo celular. Nos experimentos in vivo, tanto o EBE quanto a FA reduziram a progressão do tumor sólido de Ehrlich em camundongos Balb-c, com alguns sinais clínicos de toxicidade apenas após o tratamento com EBE. Além disso, FA também reduziu a inibição e/ou migração de neutrófilos nas patas de camundongos com tumor sólido de Ehrlich. As amostras EBE e FA também foram avaliadas em modelos de inflamação. Assim, o EBE apresentou efeito antiedematogênico no modelo de edema de pata induzido por carragenina apenas nas doses menor e intermediária enquanto o efeito anti-inflamatório de FA foi independente da dose. Já no modelo de edema de orelha induzido pelo óleo de cróton, tanto EBE quanto FA foram ativos independente da via de administração empregada (vias oral, intraperitoneal e tópica) sugerindo uma ação inibitória inespecífica sobre LOX/COX. Além disso, a FA inibiu a ativação ou migração de neutrófilos para o local inflamado. Por fim, esses resultados indicam que as partes aéreas de B. caudata são uma promissora fonte de alcaloides fenantroquinolizidínicos com potencial uso nas terapias anti-inflamatória e antitumoral; estudos futuros poderão aprofundar os conhecimentos a respeito dos mecanismos celulares e moleculares envolvidos nas atividades farmacológicas evidenciadas neste estudo (AU)

Processo FAPESP: 11/22458-3 - Isolamento, identificação e mecanismo de ação das frações e princípios ativos anticancerígenos da Boehmeria caudata Sw.
Beneficiário:Paula Pereira de Paiva
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado