Texto completo
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| Autor(es): |
Luah Batina Tomas
Número total de Autores: 1
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| Tipo de documento: | Dissertação de Mestrado |
| Imprenta: | São Paulo. |
| Instituição: | Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Relações Internacionais (IRI) |
| Data de defesa: | 2020-11-30 |
| Membros da banca: |
Felipe Pereira Loureiro;
Teresa Cristina de Novaes Marques;
Natália Maria Félix de Souza
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| Orientador: | Felipe Pereira Loureiro |
| Resumo | |
Essa pesquisa explora por que mulheres eram percebidas como inadequadas para a diplomacia no Brasil, especialmente após uma reforma administrativa de outubro de 1938 que proibiu o acesso de mulheres ao Ministério de Relações Exteriores. Essa decisão é curiosa porque mulheres já vinham sendo admitidas no Ministério desde 1918, e o sufrágio feminino havia sido conquistado em 1932. A decisão também simboliza um momento de mudança significativa no governo de Getúlio Vargas (1930-1945), que instaurou o regime autoritário do Estado Novo em 1937 após um golpe de estado. O objetivo aqui é revelar e compreender as percepções sobre gênero daqueles que eram contrários à presença feminina na diplomacia, que estimulariam uma divisão sexual do trabalho no serviço público na qual o papel da mulher ficaria limitado a atividades nacionais, privadas e de suporte. O estudo cruza fontes documentais primárias de instituições e indivíduos conectados à decisão de 1938, seguido de uma leitura crítica das fontes usando teorias feministas e o gênero como categoria de análise histórica. Como conclusão entende-se que a proibição do Ministério é parte de dois contextos mais amplos: o processo de racionalização em curso na administração pública brasileira que usaria concursos públicos como ferramenta para implantar divisões sexuais de trabalho; e as condições facilitadoras que o governo encontrou em práticas diplomáticas internacionais que presumiam uma incapacidade da mulher em obter o respeito de seus colegas diplomáticos, uma fragilidade física e emocional, uma inabilidade de discutir \"política dura\", e uma tendência natural para o casamento e a maternidade. O entendimento aqui exposto ilumina os significados coletivos que teriam ajudado à configuração de instituições e de normas de comportamento, com impactos duradouros na nossa sociedade - ainda hoje em dia apenas 23 por cento do corpo diplomático é composto por mulheres. (AU) | |
| Processo FAPESP: | 18/05057-4 - O Itamaraty e a reestruturação da administração pública na Era Vargas: a reforma Osvaldo aranha de 1938 e o impedimento do acesso de mulheres à carreira diplomática |
| Beneficiário: | Luah Batina Tomas |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Mestrado |