Busca avançada
Ano de início
Entree


Monotongação, ditongação e resolução de hiatos: um estudo com palavras reais e logatomas no português falado em São Paulo

Texto completo
Autor(es):
Lucas Pereira Eberle
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Imprenta: Campinas, SP.
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Estudos da Linguagem
Data de defesa:
Membros da banca:
Maria Filomena Spatti Sândalo; Andrew Nevins; Seung Hwa Lee
Orientador: Maria Filomena Spatti Sândalo
Resumo

Esta dissertação tem como objeto as sequências vocálicas (ditongos e hiatos) do português brasileiro e consistiu na análise dos seguintes fenômenos: (i) a redução de ditongos decrescentes orais para uma vogal simples a partir do apagamento da semivogal; (ii) a epêntese de [j] em sílabas terminadas em /s/; (iii) a epêntese de uma semivogal homorgânica entre hiatos; e (iv) a elevação da V1 em hiatos. O primeiro fenômeno denomina-se monotongação, o segundo, ditongação e o terceiro e quarto, resolução de hiatos. Buscou-se, dessa maneira, investigar se os fenômenos eram sensíveis à proeminência posicional e à dispersão acústica dos vocoides. Segundo Beckman (1998, 1999), Smith (2005) e Becker et al. (2018), sílabas tônicas, sílabas iniciais e monossílabos são posições de alta proeminência psicolinguística e fonética e por isso demandam material segmental proeminente, isto é, na monotongação, essas posições resistiriam mais a perda da semivogal; na ditongação, facilitariam a epêntese; e na resolução de hiatos, prefeririam a resolução através da epêntese em vez da elevação da V1, pois o ditongo é mais proeminente que uma vogal simples. Em relação à dispersão acústica, de acordo com Flemming (2004), Nevins (2012), Becker et al. (2018) e Casali (2011), sequências vocálicas de baixo contraste (tanto em sonoridade, quanto nas dimensões acústicas F1 e F2) são menos preferidas nas línguas por serem menos distintivas perceptivamente e, consequentemente, mais evitadas. A fim de testar as hipóteses de que a proeminência posicional e a dispersão acústica influenciam os fenômenos, elaborou-se experimentos de julgamento de aceitabilidade da monotongação, da ditongação e da resolução de hiatos em palavras reais e logatomas (palavras inventadas que obedecem à fonotática da língua). Os experimentos consistiram em um teste de sim ou não, em que os participantes eram apresentados a diferentes pronúncias de uma mesma palavra e foram instruídos a avaliá-las como natural ou não natural. Os resultados obtidos na análise estatística, embora assimétricos, corroboraram as hipóteses – a monotongação foi mais evitada em posições fortes e os ditongos, em que a redução foi mais aceita, foram os de pouco contraste em F2; a ditongação foi mais aceita em posições fortes; e a resolução de hiatos através da epêntese foi mais aceita em posições fortes enquanto a resolução através da elevação da V1 foi mais aceita em posições fracas. Para modelar a gramática que explique esses fenômenos utilizou-se da Gramática de Máxima Entropia que diferentemente da Teoria da Otimalidade, permite modelar uma gramática com variação, isto é, com mais de um output possível. Através da atribuição de pesos às restrições e das respostas obtidas nos experimentos, foi possível calcular, utilizando a ferramenta MaxEnt Grammar Tool qual output tem maior previsão de ocorrência na língua. Embora os efeitos do privilégio posicional e da dispersão acústica não sejam uniformes e simétricos nos três fenômenos, os resultados demonstram como fatores acústico e suprassegmentais influenciam a percepção de sequências vocálicas no PB (AU)

Processo FAPESP: 19/27204-1 - Ditongação e monotongação: os efeitos de privilégio posicional e da dispersão acústica entre vocoides na gramática do Português do Brasil
Beneficiário:Lucas Pereira Eberle
Modalidade de apoio: Bolsas no Brasil - Mestrado