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A comunidade sem fim: da partilha das singularidades

Texto completo
Autor(es):
Breno Isaac Benedykt
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/SBD)
Data de defesa:
Membros da banca:
Celso Fernando Favaretto; Marc Pierre Olivier Berdet; Ricardo Nascimento Fabbrini; Peter Pal Pelbart
Orientador: Celso Fernando Favaretto
Resumo

Esta tese de doutorado se dedica a analisar os impasses e os deslocamentos que levaram a filosofia francesa a uma inflexão no conceito de comunidade, o qual passa a estar interligado a um diálogo com as artes, notadamente, com a literatura e, particularmente, com o cinema. Assim, partimos da constatação de que o retorno diferenciado e a disseminação do conceito de comunidade na filosofia francesa contemporânea é inseparável de um conjunto de eventos históricos que colocaram em xeque os sentidos antes atribuídos, tanto ao conceito de comunidade como ao de comunismo. Entre estes eventos destacam-se os movimentos artísticos do início do século XX, especialmente o surrealismo, o modernismo literário e o advento do cinema; a Segunda Guerra Mundial; as ditaduras soviéticas; a Shoah e Maio de 68. Analisamos, a partir daí, a séria controvérsia entre Jean-Luc Nancy e Maurice Blanchot em torno do conceito de comunidade, em face da qual tentamos mostrar como tornou-se imperdível uma análise atenta desta controvérsia para que se compreenda o que está em jogo no caloroso debate em torno conceito de comunidade na filosofia francesa contemporânea. Mostramos, para isso, como seus ensaios sobre a comunidade foram lidos por outros filósofos, como Jacques Derrida e Gilles Deleuze, e buscamos, a partir daí, localizar alguns ecos desta controvérsia em suas respectivas filosofias. Nos arriscamos, neste momento, a compreender até que ponto é possível aproximar o pensamento da comunidade de Jean-Luc Nancy àquele da comunidade que falta e da comunidade por vir de Gilles Deleuze, especialmente pelo modo como este último o apresenta em seus livros sobre cinema e em seu ensaio dedicado à literatura de Herman Melville, haja vista que neste momento Gilles Deleuze já havia expressado a Jean-Luc Nancy, explicitamente, seu interesse pela obra de deste último, no momento que seu ensaio sobre a comunidade circulava no meio intelectual francês da época. Por fim, nos dedicamos, na última parte desta tese, a compreender qual é o tipo de presença e o nível de relevância do cinema moderno para o conceito de comunidade. Partimos, para isso, das análises de Gilles Deleuze sobre os filmes de Alain Resnais, de Pierre Perrault e da dupla Jean-Marie e Danièle-Huillet Straub, para, na sequência, compreender a relevância do filme Shoah, de Claude Lanzmann, para o conceito de comunidade de Jean-François Lyotard e os filmes de Pedro Costa, para Jacques Rancière. Destarte, nos dedicamos, finalmente, a uma análise dos filmes de Béla Tarr, isto é, de como eles nos apresentam a possibilidade de um novo desdobramento do conceito de comunidade em diálogo com as questões às quais foi exposta toda a geração de pensadores franceses que esta tese se dedicou a estudar; questões estas que, talvez, permaneçam sendo as nossas (AU)

Processo FAPESP: 18/03080-9 - A desmedida da imagem: por um conceito de comunidade a partir do cinema
Beneficiário:Breno Isaac Benedykt
Modalidade de apoio: Bolsas no Brasil - Doutorado